Notícia
10 de setembro de 2025 - Orcedino Júnior
Wilder Morais _ Foto_ Divulgação
O senador Wilder Morais (PL) defendeu o tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump, que atinge diretamente produtos goianos como carnes e mineração. A manifestação do parlamentar ocorreu durante o ato bolsonarista realizado no último 7 de setembro, em Goiânia, dia da Independência do Brasil. Segundo estimativas do Monitor Político do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), e da Universidade de São Paulo (USP), o evento reuniu apenas 1,4 mil pessoas, número considerado pequeno diante da mobilização nacional convocada pela extrema-direita.
Em discurso, o senador destacou o papel da oposição de extrema-direita no Congresso e enalteceu os movimentos de Trump. "Vocês vieram para a rua e nós, senadores da direita, fizemos a diferença", afirmou. A manifestação contou ainda com bandeiras dos Estados Unidos e faixas de agradecimento a Trump pela "ajuda" à causa, em referência à tarifa que prejudica diretamente a produção brasileira.
A posição de Wilder chamou atenção porque, além de senador, ele já foi secretário estadual de Indústria e Comércio, quando se apresentava como defensor do setor produtivo goiano. Ao apoiar uma medida que impõe tarifa de 50% sobre exportações brasileiras aos Estados Unidos, o parlamentar praticamente virou as costas a segmentos estratégicos da economia estadual, como agronegócio, mineração, indústria de transformação e indústria farmacêutica.
O senador Wilder Morais (PL) é, de certa maneira, mais empresário do que político. É dono de vários negócios, como o Shopping Bougainville (em sociedade), o Shopping Anápolis e, entre outros, a Construtora Orca. Em Goiânia, é dono de várias áreas, notadamente no Jardim Goiás
O impacto do tarifaço é devastador para Goiás. Ao encarecer produtos exportados, a nova taxação compromete a competitividade das cadeias produtivas locais, inviabiliza negócios já estabelecidos e pressiona setores que operam com margens reduzidas. Além da queda nas exportações, o efeito em cascata inclui volatilidade cambial, aumento de custos de insumos importados, pressão inflacionária, insegurança jurídica e adiamento de projetos industriais e logísticos.
O contraste é ainda maior quando se observa a postura do setor empresarial goiano. Nos últimos dias, uma comitiva da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) esteve em Washington em busca de diálogo com autoridades e empresários americanos para tentar reverter ou mitigar os efeitos do tarifaço. Enquanto os representantes buscavam soluções concretas, Wilder preferiu celebrar a imposição de barreiras comerciais.
Produtores rurais como Flávio Faedo, Paulo do Vale, José Mário Schreiner (presidente da importante Federação da Agricultura do Estado de Goiás, Faeg), Antonio Chavaglia (o notável presidente da Comigo, uma das maiores cooperativas de produtores rurais do país), Marcelo Suartz e Vitalli Cassol certamente não aprovam a retórica de Wilder Morais pró-Trump e Estados Unidos e anti-Brasil.