
Na noite desta terça-feira (9/7) a PF identificou três goianas como mulheres traficadas em uma boate da Espanha. Além delas, outras duas brasileiras foram encontradas, sendo uma do Rio de Janeiro e a outra do Paraná. Segundo o delegado, a ação da Polícia Federal faz parte da Operação Ninfas, deflagrada com o apoio da Polícia Espanhola, que combate uma quadrilha especializada em tráfico de mulheres. A operação policial tem abrangência internacional e foi simultaneamente desencadeada na Espanha - nas províncias de Ourense e Pontevedra – e, no Brasil, no Estado de Goiás e no Distrito Federal.
Uma das integrantes do grupo que traficava mulheres, levando-as para se prostituirem na Espanha, é goianiense e ajudava a encontrar possíveis vítimas por meio das redes sociais. A informação é do delegado regional executivo da Polícia Federal (PF), Umberto Ramos Rodrigues, que recebeu a imprensa na manhã desta quarta-feira (10) na sede do órgão, em Goiânia.
De acordo com Umberto Ramos, responsável por parte das investigações, as mulheres traficadas foram encontradas em situação de quase cárcere privado, visto que não podiam sair do local e não tinham acesso a pessoas de fora. As mulheres ficavam no exterior até procurarem ajuda no Consulado Brasileiro ou serem deportadas, por estarem em situação irregular.
As investigações que levaram a PF até o caso apontam que as mulheres eram recrutadas com falsas promessas de trabalho doméstico e o grupo enviava informações que pareciam confiáveis, sobre o local do trabalho, o valor do salário e as referências das pessoas que as receberiam na Espanha.
Quem identificava as possíveis vítimas era uma goianiense que chegou à Espanha traficada, mas acabou se envolvendo com um dos filhos do dono da boate. Por meio das redes sociais, ela catalogava as mulheres e avisava a cinco supostos cúmplices goianos que faziam o contato direto com as vítimas. No momento do encontro pessoal, os colaboradores – como a PF está classificando as pessoas que faziam o contato direto – apresentavam a proposta de emprego, explicavam como funcionava o trabalho doméstico e oferecia ajudas tentadoras.
O delegado regional explica que as mulheres recebiam as passagens, roupas novas e cerca de R$800 para que pudessem alegar serem turistas caso fossem barradas no aeroporto. O tempo todo, Umberto fez questão de ratificar que as mulheres não sabiam sobre a prostituição e achavam que prestariam serviços de limpeza ou coisas do tipo. Mas, ao chegar a Espanha, elas eram exploradas, tendo que pagar a dívida contraída para a realização da viagem.
Colaboradores
Os colaboradores da quadrilha, além de fazer contato direto com as vítimas, tinham funções específicas. Enquanto um fazia o contato, um segundo recebia em sua conta bancária o dinheiro para os custeios das vítimas, um terceiro comprava as passagens e os outros davam suporte para o esquema. Segundo a polícia, os cúmplices eram parentes e amigos da goiana que integrava o grupo e que acabou se envolvendo com um dos sócios da boate.
Ao todo, no Brasil, foram emitidos cinco mandados de busca e apreensão, sendo dois em Anápolis, três em Goiânia e um Brasília, e quatro de conduções coercitivas, sendo um em Anápolis e três em Goiânia. Uma das pessoas que deveriam ser ouvidas em Goiânia está na Espanha e prestou depoimento lá. Três pessoas foram ouvidas e um homem agendou, por meio de advogados, sua apresentação na sede da PF. Até a manhã desta quarta-feira (10), ele ainda não tinha se apresentado mas o prazo se estende até às 18 horas. No caso das conduções coercitivas, as pessoas não são presas. Elas se apresentam ou são levadas pela polícia, prestam esclarecimentos e são liberadas em seguida.
A PF pediu que todos fossem presos, mas o judiciário entendeu que apenas a coleta dos depoimentos era suficiente. Segundo o delegado regional, com o desenrolar das investigações, as prisões irão ser pedidas novamente, agora com mais argumentos. Entre os nomes dos suspeitos, está um homem que já se candidatou para o cargo de vereador da cidade de Anápolis.
Já na Espanha, foram expedidos nove mandados de prisão, sendo que cinco pessoas foram presas, entre eles, o líder do grupo e a goianiense que selecionava as vítimas. Quatro pessoas ainda estão foragidas. A os polícia ainda apreendeu veículos utilizados pelo grupo, boletos bancários de remessas de dinheiro e bilhetes aéreos.
O grupo
De acordo com a PF, a organização criminosa agia desde 2007 traficando mulheres para trabalharem nas três boates da empresa. Um dos locais foi fechado recentemente e os outros dois continuaram recebendo traficadas.
Dos envolvido, já foram identificados três espanhóis, sendo que um era o líder e dois eram sócios, um alemão e uma goianiense, que responderá criminalmente na Espanha. Agora, a PF vai fazer a montagem de um quebra cabeça, responsabilizando cada integrante e investigando se ainda há mais envolvidos.
A operação
A operação foi divulgada nesta terça-feira (9) mas teve início no meio do ano passado, quando a organização criminosa foi identificada. Uma das boates chama-se Ninfas, motivo pelo qual a operação recebeu este nome.
Segundo a PF, oinquérito policial foi instaurado este mês e a ação policial foi simultaneamente desencadeada na Espanha, nas províncias de Ourense e Pontevedra, e no Brasil, no estado de Goiás e no Distrito Federal.
Esta é a segunda grande operação internacional de combate ao tráfico de pessoas desencadeada pela Polícia Federal e pela Polícia da Espanha somente neste ano.
Fonte: Michelle Rabelo / A Redação