
O prefeito Jalles anunciou a realização do vestibular em agosto para o curso de Medicina em Goianésia, através de uma universidade privada. Sem dúvida, uma ação importante para o município rumo ao desenvolvimento. Mas como é uma de suas promessas de campanha, o atual prefeito irá usá-la para diminuir ou encobrir as suas ações nada populares nos 3 anos de mandato que já se vão.
O esforço de Jalles para trazer o curso, que começará a funcionar em espaços cedidos pela Prefeitura e Governo do Estado, tem como meta compensar suas tentativas frustradas de melhorar em 100 vezes a saúde de Goianésia, como era proposto, disfarçar o aumento abusivo do IPTU, encobrir a ineficiência da Secretaria de Obras em manter a malha asfáltica da cidade, disfarçar o rombo no salário dos servidores da educação, minimizar o atraso a fornecedores, a construção do novo estádio e principalmente em fazer o eleitorado postergar a espera das 2000 casas construídas totalmente sem prestação. Enfim! A sua administração é comum, com todas as dificuldades encontradas pela gestão passada, tanto criticada por ele e longe do sonho de uma cidade perfeita evidenciada no seu plano de governo, gritado aos quatro cantos da cidade, pela sua militância bem paga nas últimas eleições.
Mas afirmo que as suas propostas eram e continuam sendo apenas um detalhe! O aspecto cultural é que continua sendo trabalhado pelo seu grupo econômico. É sempre o prestígio do grupo que está em jogo. E todas as pessoas mais conscientes sabem que gerar um emprego não é um ato de bondade. É um ato de lucro, de vantagem, na qual o empresário apenas irá ganhar com isso. Empresários não geram empregos por serem bonzinhos. Geram empregos para lucrar.
A política em Goianésia difere do resto do Estado, pela influência econômica e cultural dos que detém o Poder. É péssimo para a democracia, para o fortalecimento das instituições, para a liberdade. Comandando a maioria dos empregos privados, e todos os empregos públicos do Município e do Estado em Goianésia, as relações institucionais, socias e culturais são obscuras, impostas, de obrigação.
E o jugo cultural tem surtido efeito. Constamente em rodas de conversa, em festividades e encontros sociais nós encontramos pessoas comuns, que se mostram defensores apaixonados dessa ideologia alienados que não medem esforços, chegando a romper laços de amizade e de família, para impor a qualquer um que a permanência do grupo no poder é a única saída para Goianésia. Proclamam-se como os "ungidos", os "escolhidos". É quase uma devoção religiosa.
A ideologia continua sendo a mesma da Princesinha do Vale da década de 80 do século passado. Você novamente é definido em Goianésia pela sua condição de contra ou a favor deles, em detrimento das suas qualidades e valores. Infelizmente, um “embarcadouro” eleitoral.
Mas aquiete o seu coração, Jalles; com a efetivação do curso de Medicina, se seus defeitos foram substituídos por qualidades na sua eleição, imagine agora. “Todos os teus pecados serão perdoados”.
*Orcedino Wenceslau Jùnior é presidente do Jornal Opinião