Notícia
17 de julho de 2026 - Orcedino Júnior
O novo pacote tarifário anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve provocar impactos limitados na economia goiana. A avaliação é da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), que destaca que a maior parte das exportações do agronegócio de Goiás para o mercado norte-americano é composta por carne bovina, produto que, segundo a pasta, não está incluído na lista da sobretaxa.
De acordo com a gerente de Inteligência de Mercado Agropecuário da Seapa, Christiane de Amorim, cerca de 85% das exportações do agro goiano destinadas aos Estados Unidos correspondem à carne bovina. Os outros 15%, no entanto, abrangem diversas cadeias produtivas que poderão enfrentar dificuldades e precisarão se adaptar ao novo cenário comercial.
"Economicamente, não devemos ter um impacto muito elevado. Entretanto, essas outras cadeias produtivas passarão por mudanças que precisarão ser ajustadas nos próximos meses. No curto prazo haverá reflexos, mas entendemos que esses setores têm capacidade para se reorganizar gradualmente", afirma Christiane.
Dados da Seapa apontam que Goiás exportou mais de US$ 375 milhões em produtos agropecuários para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026. Desse total, aproximadamente US$ 315 milhões correspondem à carne bovina.
Os demais embarques incluem derivados de origem animal, açúcar, etanol, couro, lácteos, café, frutas, cereais e farinhas, pescados, cacau, bebidas, produtos oleaginosos (exceto soja), alimentos processados, hortaliças, leguminosas, raízes e tubérculos, produtos florestais, fibras e produtos têxteis, itens de origem vegetal e sucos.
Embora representem uma parcela menor das exportações, produtos como açúcar, etanol, leite condensado e creme de leite devem sentir os efeitos das novas tarifas. Para a gerente da Seapa, esses segmentos precisarão rever suas estratégias de comercialização para minimizar perdas.
"A saída será buscar novos mercados internacionais ou ampliar a presença desses produtos no mercado interno, reduzindo os impactos econômicos e preservando a competitividade das cadeias produtivas", conclui Christiane de Amorim.