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Principal partido da oposição em Goiás, o PMDB está mergulhado, desde maio, em uma acirrada disputa para a escolha do candidato ao governo do Estado às eleições de 20014, protagonizada por duas fortes lideranças: o ex-governador, ex-prefeito de Goiânia e ex-ministro Iris Rezende e o megaempresário José Batista Júnior, o Júnior Friboi.
Decidido a buscar a candidatura ao Palácio das Esmeraldas, Júnior Friboi chegou ao PMDB apadrinhado pelo vice-presidente da República e presidente nacional licenciado do partido, Michel Temer, o que acabou contrariando o ex-prefeito Iris Rezende, que também alimenta o projeto de concorrer ao governo estadual. Iris não foi ao ato de filiação de Friboi ao PMDB, mas, a pedido da direção estadual, abonou a ficha de ingresso do empresário à legenda.
Em conversas com jornalistas, em maio, em frente ao prédio Solar dos Buritis, no Setor Oeste, onde mora, Iris Rezende justificou a ausência no ato de filiação e também no primeiro encontro regional do PMDB, em Morrinhos: não queria ser motivo de uma possível saída de Júnior Friboi do partido, a exemplo do que ocorreu com Henrique Meirelles, em 2010, e com Vanderlan Cardoso, este ano. “Meirelles e Vanderlan deixaram o PMDB alegando que não tiveram espaço para consolidar os seus projetos de concorrer ao governo estadual. Desta vez, não quero ser responsabilizado, caso Júnior Friboi não venha a se viabilizar dentro do PMDB.”
Iris Rezende vem, gradativamente, posicionando-se como pré-candidato a governador às eleições de 2014. Já compareceu aos encontros regionais de Catalão e de Mineiros e recebe, com frequência, caravanas de lideranças do PMDB de diversas cidades goianas, em seu escritório político, na T-9, Setor Marista. Quem conversa com Iris sai convencido de que o líder peemedebista está determinado a promover o terceiro confronto eleitoral com o governador Marconi Perillo (PSDB).
As primeiras pesquisas eleitorais sinalizam favoravelmente a Iris Rezende entre os nomes do PMDB para a corrida ao Palácio das Esmeraldas. Mas o ex-governador sofre rejeição quando se pergunta ao eleitorado se não seria melhor um nome novo para a disputa ao Palácio das Esmeraldas.
Iris Rezende é acusado, desde que retornou ao cenário político do Estado, após o período de cassação de seu mandato como prefeito de Goiânia – voltou em 1979 com a anistia e à disputa eleitoral em 1982, quando elegeu-se governador – de não ceder espaços para os companheiros do PMDB. Inconformados com o “comando imperial” de Iris, deixaram o PMDB, ao longo do tempo, lideranças destacadas, como Mauro Borges, Henrique Santillo, Irapuan Costa Júnior, Lúcia Vânia, Nion Albernaz, Iram Saraiva, Marconi Perillo e tantos outros.
O ex-deputado Ivan Ornelas (um mandatos pelo PMDB e um pelo PT) encaminhou ofício ao diretório estadual comunicando sua pré-candidatura ao governo estadual, mas se queixa que o presidente Samuel Belchior não considera sua pretensão de concorrer na convenção partidária.
DESAFIO
O empresário José Batista Júnior, o Júnior Friboi, chegou ao PMDB recentemente e já mostra força dentro da legenda, pois conta com o apoio de três dos quatro deputados federais – Pedro Chaves, Sandro Mabel e Leandro Vilela –, e três dos sete deputados estaduais – Bruno Peixoto, Paulo Cezar Martins e Luis Carlos do Carmo, além de 75% dos 55 prefeitos.
Entre os prefeitos, estão com Friboi: Humberto Machado (Jataí), Luiz Teixeira (Niquelândia), Eronildo Valadares (Porangatu), Márcio Vasconcelos (São Simão) e Jakes Rodrigues (Rubiataba).
O ex-presidente do PMDB estadual e ex-presidente da Associação Goiana de Municípios, Nailton de Oliveira, também está com o empresário.
Em declaração que causou surpresa entre os dirigentes e militantes do PMDB, Júnior Fribou disse estar disposto a enfrentar Iris Rezende na convenção do partido, prevista para junho do ano que vem, para a escolha do candidato ao governo estadual. Em conversa com jornalistas, Friboi disse que o PMDB tem o seu nome como pretendente ao cargo de governador. “Nunca ouvi Iris dizer que é pré-candidato.”
Dia 30 de setembro é uma data chave para Júnior Friboi: se perceber que poderá ser derrotado na convenção, o empresário poderá trocar de legenda e manter de pé seu projeto de concorrer ao governo. O PRTB, através das direções nacional e estadual, já formalizou convite para Júnior Friboi. O empresário já foi filiado ao PSDB, PTB e PSB.
Júnior Friboi quer a definição do nome do partido o mais rápido possível, pois acredita que o passar do tempo beneficia o projeto de Iris, caso ele exista.
LÍDER MAIOR
Já o ex-governador Iris Rezende tem o respaldo do deputado estadual e presidente do PMDB goiano, Samuel Belchior, dos ex-presidentes da legenda Adib Elias (ex-prefeito de Catalaão) e Wagner Guimarães (ex-deputado estadual), da deputada federal Iris Araújo (sua mulher) e dos deputados estaduais José Essado, Nélio Fortunato.
O ex-governador e prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, e seu filho, deputado estadual Daniel Vilela, estão neutros nesta disputa entre Iris e Friboi. Daniel chegou a defender a realização de prévias para a escolha do candidato a governador. Em 2006, Maguito Vilela e Adib Elias disputaram as prévias do PMDB, sendo vencedor o ex-governador.
Deputado estadual, ex-presidente do PMDB goianiense e secretário de Habitação do prefeito Paulo Garcia, Wagner Siqueira, é considerado irista. O vice-prefeito de Goiânia, Agenor Mariano, é outro “afilhado político” de Iris.
Entre os prefeitos, estão com Iris: Agenor Rezende (Mineiros), Judson Lourenço (Santa Helena de Goiás e Solange Bertulino (Uruaçu).
A velha guarda do PMDB, formada por figuras como Lázaro Barboza, Sodino Vieira, Genésio de Barros, Luiz Soyer, Eurico Barbosa, Kid Neto, Mauro Miranda, Wolney Siqueira, apoiam a pretensão de Iris de retornar ao Palácio das Esmeraldas.
Favorável à definição do nome do PMDB à sucessão estadual somente em março ou abril, Iris decidiu não mais comparecer aos encontros regionais do partido, marcados para este ano. Agindo assim, evita o acirramento da disputa interna com Friboi e ganha tempo para reverter apoios eventualmente direcionados ao concorrente.
Iris se nega a assumir publicamente sua pré-candidatura, pois sustenta, em seus discursos, apenas contribuir com o PMDB na condição de “conselheiro”. Mas, nos bastidores, ninguém acredita que o ex-governador tenha sepultado sua pretensão de concorrer, pela quinta vez, ao governo estadual. DM.COM.BR