
Descontente com o posicionamento do PT nas eleições do ano passado e como consequência dos desgastes do governo Dilma, o PMDB de Goiás avança nas conversações com o DEM de Ronaldo Caiado e se distancia do partido do prefeito Paulo Garcia, tendo como objetivo o pleito eleitoral do ano que vem.
Mais uma vez, a cúpula do PMDB goiano – presidente da Executiva Samuel Belchior, deputados federais Pedro Chaves e Daniel Vilela, os estaduais José Nelto, Adib Elias, Bruno Peixoto, Paulo Cezar Martins e Ernesto Roller – teve demorada conversa com o senador e presidente estadual do DEM, Ronaldo Caiado, sobre alianças em Goiânia e no interior do Estado.
Mesmo permanecendo no DEM, as conversas sobre fusão com o PTB estão encerradas, Ronaldo Caiado quer manter a aliança com o PMDB já que almeja candidatar-se ao governo de Goiás em 2018. Caiado comemora a crise vivida pelo PT nacional, diante das denúncias de corrupção na Petrobras e, também, os desencontros entre os petistas e peemedebistas goianos, iniciados na sucessão estadual de 2014, quando cada um dos partidos lançou candidato próprio ao Palácio das Esmeraldas.
Para o líder da bancada estadual do PMDB, José Nelto, depois que o PT rejeitou a candidatura de Iris Rezende ao governo do Estado, no primeiro turno, e os desgastes sofridos pelos petistas diante dos escândalos do governo Dilma, a aliança entre os dois partidos praticamente acabou. “O PMDB deverá prosseguir com o DEM nas alianças futuras, por se tratar de um partido leal. O PT segue o seu caminho, aliás, escolha tomada nas eleições do ano passado.”
Os cardeais do PMDB reconhecem que a baixa popularidade da gestão do prefeito Paulo Garcia (PT), em Goiânia, contribui para que os seguidores de Iris Rezende, provável candidato a prefeito em 2016, se afastem do Paço Municipal. “Se existem peemedebistas em cargos no governo Paulo Garcia, o fazem em nome próprio, sem aval do partido.”
Na conversa com Ronaldo Caiado, os dirigentes e parlamentares do PMDB disseram que a prioridade é estabelecer aliança eleitoral com o DEM, em todo o Estado, no pleito do ano que vem. “O PMDB contribuiu, de forma substancial, na eleição de Ronaldo Caiado para o Senado. Nada mais que natural que, agora nas eleições para prefeito, possamos estar novamente juntos em Goiás”, ressalta José Nelto.
Os cardeais peemedebistas consideram como certa a candidatura de Iris Rezende à sucessão do prefeito Paulo Garcia. “Tudo caminha para Iris Rezende ser o candidato do PMDB à Prefeitura de Goiânia. Foi o melhor prefeito da história da Capital. Nada mais natural que Iris venha a disputar novamente a prefeitura, pois é tocador de obras, tem votos e pode vencer as eleições já no primeiro turno”, ressalta o deputado Bruno Peixoto, presidente do PMDB Metropolitano.
CONVERSAÇÕES
Com as conversas adiantas em relação ao DEM, os dirigentes e parlamentares do PMDB vão marcar encontro com o presidente estadual do Solidariedade, Armando Vergílio e seu, filho, deputado federal Lucas Vergílio, para discutir alianças em Goiânia e no interior do Estado. Armando foi candidato a vice-governador, na chapa encabeçada por Iris Rezende, nas eleições do ano passado.
Outros partidos, como o PRP, presidido em Goiás pelo publicitário Jorcelino Braga (ex-secretário estadual da Fazenda), serão convidados para discutir alianças eleitorais, visando 2016 e 2018.
VETOS
A Executiva estadual do PMDB decidiu, também, que o partido, em nenhum dos 246 municípios goianos, fará coligação ou aliança com o PSDB marconista. “O diretório do PMDB que selar aliança com os tucanos será imediatamente dissolvido, pois o nosso partido tem perfil oposicionista ao grupo que está instalado no poder há 16 anos”, sustenta José Nelto.
Os prefeitos peemedebistas que, ano passado, trocaram o palanque de Iris Rezende pelo o do governador Marconi Perillo, correm risco de não ter apoio dos diretórios, caso queiram concorrer à reeleição. “A direção estadual do PMDB já decidiu que qualquer membro do partido, seja prefeito ou não, que esteve no palanque do PSDB, ficará fora das eleições do ano que vem como candidato a qualquer cargo”, pondera José Nelto. “Estamos promovendo um limpa de infiéis, reoxigenando a legenda e buscando lideranças novas para a disputa às prefeituras e câmaras municipais”, completa o líder da bancada estadual do PMDB.
No encontro com os cardeais peemedebistas, o senador Ronaldo Caiado deixou claro que os prefeitos dissidentes do DEM – todos aqueles que apoiaram a reeleição do governador Marconi Perillo – dificilmente terão respaldo do partido para uma eventual candidatura à reeleição em 2016.