Notícia
27 de julho de 2026 - G1 Goiás
Uma operação resgatou mais de 50 trabalhadores que, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), estavam sendo submetidos a condições análogas à escravidão em Cezarina, região sul de Goiás. Segundo o órgão, os trabalhadores aliciados vieram da Bahia e de Minas Gerais para trabalhar na extração de palha de milho para a produção de cigarros.
A ação foi realizada nos dias 23 e 24 de julho. Ao todo, 55 trabalhadores, incluindo 9 mulheres, foram resgatados após serem atraídos com promessas de que poderiam ganhar entre R$ 6 mil e R$ 10 mil por mês.
De acordo com o ministério, cerca de 150 trabalhadores foram recrutados, mas dois terços já haviam ido embora pela insatisfação com a realidade do serviço.
“Quando eles chegaram aqui, não tinha trabalho. Eles ficaram parados por quase um mês e depois, quando começaram as atividades na extração da palha do milho, trabalhavam dois, três dias e o serviço parava”, informou o órgão.
Segundo o MTE, o empregador alegou que teve problemas logísticos com maquinário e, por isso, os trabalhadores ficaram sem trabalhar.
Com isso, os trabalhadores afirmaram que só receberiam o salário-mínimo nos dias em que não havia serviço. Além disso, eles alegam que os salários que deveriam ser pagos quinzenalmente estavam em atraso.
“Há relatos de trabalhadores que precisavam almoçar no chão, fazer necessidades fisiológicas no mato ou em sacolas, inclusive as mulheres, falta de fornecimento de água potável nas frentes de trabalho, falta de EPIs adequados”, disse ele.
De acordo com o órgão, a operação aconteceu por causa da denúncia dos próprios trabalhadores, que estavam insatisfeitos com a situação. Os auditores relatam que encontraram os trabalhadores em inatividade e que o empregador já não respondia mensagens e ligações deles.
"Houve uma primeira visita, realizada em junho pela Auditoria. Os trabalhadores ainda estavam parados, com a promessa de começar a trabalhar. A situação foi se agravando com as promessas não sendo cumpridas, o que resultou no nosso retorno", informou.
Segundo as informações, na primeira inspeção, nenhum trabalhador estava com carteira assinada. Após notificação, a carteira de alguns trabalhadores foi assinada.
Ao g1, o órgão informou que os trabalhadores não sofriam violência ou tinham restrição de liberdade, como nos casos mais clássicos, mas ainda assim os trabalhadores estavam submetidos à situação análogo à escravidão.