Notícia Nascem em Goiânia as gêmeas geradas no útero da avó de 52 anos
09 de janeiro de 2013 - Orcedino Junior
Nascem em Goiânia as gêmeas geradas no útero da avó de 52 anos

Avó emagreceu 11 kg e voltou a menstruar para gerar netas (Foto: Fernanda Medeiros/Arquivo Pessoal)

Nasceram por volta das 20h de segunda-feira (7), em um hospital do Setor Aeroporto, em Goiânia, as gêmeas Emanuele e Júlia. Elas foram geradas no útero da avó de 52 anos. As crianças nasceram saudáveis e avó, segundo os médicos, reagiu muito bem.  "É uma felicidade que não tem tamanho", descreveu, emocionada, a mãe biológica das gêmeas, a funcionária pública Fernanda Medeiros, de 34 anos, momentos após o nascimento.

Os médicos haviam dito que dependendo do estado de saúde, as irmãs precisariam ficar internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o que não foi necessário.

Registro Civil

Fernanda reclama não conseguiu autorização da Justiça para que ela e o marido, pais biológicos das gêmeas, possam registrá-las em seus nomes. A advogada da família, Léa Carvalho, explicou que o Ministério Público (MP) deu parecer favorável ao pedido. “O MP autorizou que a unidade hospitalar que fizer o parto emita a declaração de Nascido Vivo no nome dos pais biológicos. Agora, falta a decisão do juiz de Santa Helena”, explicou.

No entanto, a família reclama que não havia juiz na cidade para dar o parecer. Sem a autorização, a declaração de Nascido Vivo será registrada no nome da mãe de Fernanda, dificultando assim que os pais biológicos registrem as crianças. A advogada explica que, sem os documentos no nome dos pais, as gêmeas não podem ser incluídas no plano de saúde.

A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Goiás informou ao G1 que a presidência do Tribunal designou um juiz para responder por Santa Helena de Goiás e que nesta terça-feira (8) ele já estaria a serviço no fórum da cidade. A família espera uma decisão favorável da Justiça ainda antes da alta de Maria da Glória.

Os pais biológicos com as gêmeas Emanuele e Júlia. (Foto: reprodução/facebook)

Retirada do útero

Fernanda descobriu que não poderia ter filhos aos 13 anos. A servidora nasceu com deficiência uterina e, segundo ela, teve de retirar o órgão após a primeira menstruação, quando teve cólicas tão fortes que a levaram para o hospital. “Só fui saber que não tinha mais útero 15 dias depois da cirurgia, quando fui retirar os pontos. O médico me explicou tudo e tive que me conformar. Na época, foi triste demais porque desde nova eu já gostava de criança e tinha vontade de ser mãe”, lembra a mãe biológica das gêmeas.

Fernanda se casou aos 20 anos e tentou adotar, mas não deu certo. Em 2005, a servidora pública viu na TV a história de uma sogra que gerou o neto para a nora. “Minha mãe e minha sogra se ofereceram para gerar meu filho. Fomos ao médico, eu e minha mãe, mas o doutor disse que seria muito arriscado por causa da idade dela. Então, não deu certo”, lembra a funcionária pública, que na época também não tinha condições financeiras para bancar o procedimento.

Mesmo diante da tentativa frustrada, Fernanda não desistiu e, no início de 2011, voltou ao médico. Maria da Glória foi submetida a exames que revelaram a ótima saúde para gerar os bebês. “A primeira tentativa para a fertilização fracassou porque não ovulei muito. Mas na segunda vez ovulei bem e separamos quatro embriões bons. Dois usamos e os outros dois estão congelados”, revela Fernanda.

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