
Artigo 109 do Grão Mestre Barbosa Nunes publicado no
Jornal Diário da Manhã, edição de 09 de março de 2013
Ao assumir, por dois mandatos, o cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente do Estado de Goiás, coloquei como objetivo principal resgatar o valor da mulher dentro da instituição, que hoje, não pode prescindir de sua atuação. Nos trabalhos ritualísticos, ainda não, mas na essência maçônica a mulher é fundamental, como é na família, na orientação cristã e educacional dos filhos e no suporte ao homem, seu companheiro. Homem frágil, que é dependente das mulheres em todos os momentos de sua vida.
O homem não existe sozinho. Sozinho ele se torna um solitário e triste.Não se falando na contribuição da mulher, hoje com seu poder aquisitivo, na maioria das vezes, menor que o homem, é força para manutenção de milhares de lares, com seu trabalho crescente em campo profissional. A população brasileira é constituída em mais de 50% por mulheres.Não deveria existir só um dia para esta comemoração.
O valor da mulher companheira, mãe, trabalhadora dia e noite, ser humano continuadamente ligado ao seu produto, que são os filhos, deveria ser comemorado todos os dias, todas as noites e constantemente.Vou ao escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo, famoso por suas crônicas e textos de humor, para reafirmar meu respeito e admiração pelas mulheres, na maçonaria denominadas cunhadas, pelo dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher.Veríssimo em um de seus escritos intitulado “Mulher, sua origem e seu fim”, com perspicácia assim se expressa:“
Existem várias lendas sobre a origem da Mulher. Uma diz que Deus pôs o primeiro homem a dormir, inaugurando assim a anestesia geral, tirou uma de suas costelas e com ela fez a primeira mulher. E que a primeira provação de Eva foi cuidar de Adão e aguentar o seu mau humor enquanto ele convalescia da operação.Uma variante desta lenda diz que Deus, com seu prazo para a Criação estourado, fez o homem às pressas, pensando "Depois eu melhoro", e mais tarde, com o tempo, fez um homem mais bem-acabado, que chamou Mulher, que é "melhor" em aramaico.
Outra lenda diz que Deus fez a mulher primeiro, e caprichou nas suas formas, e aparou aqui e tirou dali, e com o que sobrou fez o homem só para não jogar barro fora.Pergunta na crônica: “Mas de onde veio a primeira mulher, já que podemos descartar tanto a evolução quanto as fantasias religiosas e mitológicas sobre a criação?Inclino-me para a tese da origem extraterrena. A mulher viria (isto é pura especulação, claro) de outro planeta. Venho observando-as durante anos - inclusive casei com uma, para poder estudá-las mais de perto - e julgo ter colecionado provas irrefutáveis de que elas não são deste mundo.Observei que elas não têm os mesmos instintos que nós, e volta e meia são surpreendidas em devaneio, como que captando ordens de outra galáxia, embora disfarcem e digam que só estavam pensando no jantar. Têm uma lógica completamente diferente da nossa.
Ultimamente, têm tentado dissimular sua peculiaridade, assumindo atitudes masculinas e fazendo coisas - como dirigir grandes empresas e xingar a mãe do motorista ao lado - impensáveis há alguns anos, o que só aumenta a suspeita de que se trata de uma estratégia para camuflar nossas diferenças, que estavam começando a dar na vista”. Conclui o texto: “São de uma civilização superior, o que podem nossos tacapes contra os seus exércitos de encantos? Breve dominarão o mundo”.Sempre em minhas falas e palestras, declamo uma poesia que me toca profundamente, intitulada “Meu nome é Mulher”. Sua autora é Fátima Aparecida Santos de Souza, ou simplesmente Pérola Negra, como também se identifica. É uma policial militar na cidade de Mauá, São Paulo, que luta pelo reconhecimento do seu trabalho.
Transcrevo o poema em homenagem às leitoras que me distinguem com sua qualificada atenção todos os sábados.“No princípio eu era Eva, Nascida para a felicidade de Adão, E meu paraíso tornou-se trevas, Porque ousei libertação!Mais tarde fui Maria, Meu pecado redimiria, Dando à luz Aquele, Que traria a salvação! Mas isso não bastaria, Para eu encontrar perdão!Passei a ser Amélia, “A mulher de verdade”, Para a sociedade! Não tinha a menor vaidade, Mas sonhava com igualdade!Muito tempo depois decidi: “Não dá mais! Quero minha dignidade, Tenho meus ideais!”Hoje não sou só esposa ou filha; Sou pai, mãe, arrimo de família. Sou caminhoneira, professora, taxista, piloto de avião, advogada, policial feminina, operária em construção! Ao mundo peço licença, Para atuar onde quiser! Meu sobrenome é Competência, O meu nome é Mulher!”Esta última estrofe eu a declamo, fazendo uma introdução pessoal em homenagem à mulher brasileira:“Sou presidente da República, Ao mundo peço licença! Meu sobrenome é Competência, O Meu Nome é Mulher!
Barbosa Nunes, advogado, ex-radialista, membro da AGI, delegado de polícia aposentado, professor e Grão-Mestre da Maçonaria Grande Oriente do Estado de Goiás – barbosanunes@terra.com.br