Notícia Mapa revela onde Lula mais perdeu votos em relação a 2022
05 de outubro de 2026 - Orcedino Júnior
Mapa revela onde Lula mais perdeu votos em relação a 2022

A perda de votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno de 2026 se concentrou no interior, especialmente nos municípios menores e onde a agropecuária tem maior peso na economia. É o que mostra uma análise de Marco Antonio Faganello, do Centro de Política e Economia do Setor Público (Cepesp), da Fundação Getulio Vargas (FGV), com dados preliminares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do IBGE.

Na comparação com o primeiro turno de 2022, Lula perdeu participação nos votos válidos em 98% dos municípios analisados. Entre 5.561 cidades com mais de 95% das seções totalizadas, cresceu em apenas 102.

“A derrota veio do interior”, resumiu Faganello. Nas capitais, Lula praticamente manteve a votação proporcional de 2022, com queda de apenas 0,6 ponto percentual, e cresceu em Macapá, Belém, Aracaju, Recife e Brasília. No interior, o recuo foi de 4,1 pontos.

Quanto menor a cidade, maior a queda
O tamanho do município é um dos padrões mais claros da análise. Nas cidades com até 5 mil habitantes, Lula caiu 7,2 pontos percentuais. O recuo diminui conforme aumenta a população e chega a apenas 1,1 ponto nas cidades com mais de 500 mil habitantes.

Segundo Faganello, o efeito não se explica apenas pela diferença de tamanho: mesmo comparando municípios de porte semelhante, as capitais perderam menos.

Regionalmente, as maiores quedas ocorreram no Sul, com 5,5 pontos, e no Centro-Oeste, com 5,2. No Nordeste, Lula recuou cerca de 3 pontos.

Entre os estados, Goiás (-8,5), Tocantins (-7,0) e Rio Grande do Sul (-6,6) lideraram as perdas. A distância entre a votação de Lula no Nordeste e no Sul, que era de cerca de 30 pontos em 2022, aumentou para 32,5 pontos, aprofundando a divisão regional do voto.

Agro aparece associado à maior perda
A análise também encontrou uma relação entre o desempenho de Lula e o peso da agropecuária na economia local.

Nos municípios em que o agro representa mais da metade da economia, a queda típica foi de 8,8 pontos percentuais. Onde o setor responde por menos de 5%, foi de 3,9 pontos.

A associação permanece quando são comparadas cidades do mesmo estado e com características semelhantes de população e renda. Faganello ressalta, porém, que o resultado indica associação, e não relação de causa e efeito.

Já o percentual de evangélicos no município não apresentou efeito estatisticamente significativo no modelo utilizado.

Sudeste concentrou a maior perda em votos
Embora Lula tenha perdido proporcionalmente mais nas cidades pequenas, o maior volume de votos saiu dos grandes centros eleitorais.

Entre 2022 e 2026, o petista perdeu cerca de 3,4 milhões de votos. Desse total, 53% vieram do Sudeste, 29% do Sul e 11% do Centro-Oeste. Os municípios com mais de 100 mil habitantes responderam por 48% da perda nacional.

Ao mesmo tempo, o PL ganhou cerca de 5 milhões de votos na comparação entre Jair Bolsonaro, em 2022, e Flávio Bolsonaro, em 2026, com crescimento em todas as regiões.

O dado mais significativo aparece no Nordeste. Lula praticamente manteve sua votação, passando de 21,7 milhões para 21,5 milhões de votos, mas o PL ganhou 1,6 milhão na região.

Com isso, a vantagem petista no Nordeste caiu de 13 milhões para 11,1 milhões de votos, enquanto a desvantagem de Lula no restante do país quase dobrou, de 6,8 milhões para 13,3 milhões.

Abstenção não explica
A análise também afasta a hipótese de que a queda tenha sido provocada principalmente pela abstenção. Ela permaneceu em 20,8% do eleitorado tanto em 2022 quanto em 2026.

Segundo Faganello, comparando municípios do mesmo estado, Lula também não perdeu mais onde a abstenção aumentou do que onde ela diminuiu.

O estudo utiliza dados preliminares do TSE e informações do Censo 2022 e do PIB dos municípios. O modelo estatístico reúne 5.528 municípios e controla diferenças entre estados, população, renda e outras características locais.

Faganello ressalta ainda que a análise compara municípios e não permite saber como cada eleitor individualmente mudou seu voto. Segundo ele, a próxima etapa será aprofundar a investigação com os resultados por seção eleitoral.

Acessos - 27