
Empresário diz que irá até Convenção do PMDB para manter candidatura ao governo e acredita que Iris não disputará cargo
O empresário Júnior Friboi está em plena campanha para ser o candidato do PMDB ao governo do Estado e acredita que o ex-prefeito Iris Rezende não disputará. Para mostrar disposição para a disputa ele oficiou ao Diretório Estadual que irá disputar a convenção no próximo ano e que não se intimidará em percorrer todo o Estado em busca de apoio para a postulação. “Eu não vejo o ex-prefeito Iris Rezende como um pretenso candidato, até porque ele já declarou reiteradas vezes que não é candidato. A não ser que ele mude de ideia sobre o que temos conversado e acredito que ele continuará como conselheiro do PMDB”, explica A escolha do candidato do partido ao principal cargo em disputa no próximo ano – governo do Estado - segundo Júnior, será feita pela base do partido e ele acredita ter apoio de ampla maioria dessa militância. “Iris tem dito que a candidatura que a base escolher ele também irá abraçar e fomentar essa divisão só interessa à base do governo, mas tenho buscado manter uma relação de amizade com ele” Em entrevista ao Diário da Manhã Júnior disse que o Estado precisa de um “choque de gestão” e que a solução para incrementar a receita de Goiás é aumentar a base de cobrança dos impostos, reduzindo a informalidade e forçando a cobrança sobre sonegadores. Disse que é preciso rever os incentivos fiscais e privilegiar empresas que já se encontram instaladas aqui ou que tenham se originado no Estado como forma de diminuir as desigualdades e reduzir a guerra fiscal. No aspecto político ele nega ter sido o financiador da estruturação do Partido da Reconstrução da Ordem Social (Pros), prega uma ação social de excelência como forma de promover inclusão social e lamenta a situação de descontrole que o Estado se encontra: “Goiás não precisava passar por esse caos.”
ENTREVISTA COMPLETA - JÚNIOR FRIBOI Diário da Manhã – Como está sua pré-campanha para ser o candidato do PMDB ao governo do Estado? Júnior Friboi – Estamos trabalhando muito e percorrendo o Estado inteiro para discutir na base a possibilidade de uma candidatura com amplo apoio dessa base para o governo de Goiás. Vim para o PMDB para ser candidato ao governo e permaneço no partido. Coloquei para a executiva estadual essa pretensão através de ofício e iniciamos esse projeto que é inicialmente para debate interno, no partido, e em momento adequado será para debate externo (Leia sem interrupções em. Vamos falar aquilo que as pessoas querem ouvir e colocar para a população as condições em que vamos disputar essa intenção. Ou seja, vou até a Convenção do partido no ao que vem para disputar o direito de representar o PMDB na disputa pelo governo do Estado em 2014.
Diário da Manhã – Como você avalia as ações do ex-prefeito Iris Rezende. Acredita que ele não irá disputar a vaga? Júnior Friboi – Até o momento ele tem dito para mim e repetido isto para outras pessoas que não será candidato. Todas as conversas que tive com Iris Rezende, desde minha filiação, até hoje, ele tem reafirmado que não será candidato. Então, eu não conto com ele como um pretenso candidato a não ser que mude de ideia. Acredito que ele se mantém como um conselheiro do partido, como se autonomeou e eu tenho de acreditar nisso. Tenho buscado sempre fazer um discurso de união e pedir para que ele participe desse processo, pois ele é muito importante para o partido e para a escolha que vamos fazer. Eu acredito que Iris quer continuar como conselheiro. Mas, em todas as reuniões e oportunidades de estarmos juntos com ele e com a base do partido o ex-prefeito tem repetido que não será candidato. A avaliação é que a base do PMDB irá escolher o candidato e ele irá abraçar a candidatura que for definida. E tenho notado que estão forçando um pouco os questionamentos sobre sua possível candidatura. Vejo mais: o interesse maior para que Iris seja candidato ao governo vem da própria base aliada do atual governador. Eu não tenho dúvida de que o candidato preferido pelos líderes da base aliada para a disputa seja Iris Rezende e eles estão trabalhando fortemente para desconstruir essa imagem de amizade entre eu e o ex-prefeito.
Diário da Manhã – Quais são as motivações para você ser candidato ao governo? Júnior Friboi – Eu estou em um momento muito importante da minha vida. Já realizei um grande sonho que era ajudar minha família. Do ponto de vista empresarial também estou realizado. Tenho 53 anos de idade e quero dar uma contribuição ao meu Estado, onde nasci. Sou goiano e tenho orgulho disso. Sinto que tenho legitimidade para postular essa disputa e esse cargo. Minha biografia me credencia a essa disputa pelo conhecimento empresarial e de gestão que tenho, bem como de conhecimento internacional. Me sinto preparado para governar o Estado. Estou colocando meu nome para ser avaliado pelo povo como uma opção para governar Goiás. Sei bem que a base do partido vai decidir quem será o candidato e o povo vai definir quem será o próximo governador. Depois de fazer uma grande gestão em uma empresa, na qual nos tornamos a maior empresa do mundo depois de sair de uma empresa pequena. Me sinto pronto e preparado para governar Goiás. Lógico que tenho que passar por um debate para as pessoas conhecerem meus pensamentos.
Diário da Manhã – Qual será o diferencial da sua candidatura? Júnior Friboi – Eu penso grande. Quando presidi a empresa sempre pensei grande, pensava sempre em ser o maior do mundo e em ser o líder mundial no nosso segmento, buscando tecnologia e especialização. Meu discurso será buscar, sobretudo o que tem de melhor no mundo para Goiás. Nosso estado não é diferente dos demais ou de qualquer cidade do primeiro mundo. Precisamos buscar evoluções tecnológicas como ferrovias, metrôs e trens-bala. Precisamos quebrar esse paradigma e fazer um governo pautado em inovações e evolução tecnológica.
Diário da Manhã – Mas, para fazer isto é preciso dinheiro. Como é possível fazer crescer a receita do Estado? Júnior Friboi – Tenho visto aí que 90% da receita está comprometida com folha de pagamento e com a dívida. Entendo que precisamos aumentar a capacidade de investimento e fazer um ajuste fiscal muito sério nas despesas do Estado, fazer uma contenção das despesas, rever contratos e desperdícios por onde o dinheiro vai embora. Precisamos fazer um choque de gestão na economia. O Estado desperdiça muito e na verdade o atual governo está comprometido com grupos que o apoiam e não pode fazer esses cortes necessários. Precisamos rever contratos e conferir se estão corretos ou se é possível rever seus preços. Precisamos ajustar o estado na Lei de Responsabilidade Fiscal, pois acredito que o Estado não esteja cumprindo a LRF. Os investimentos que estão sendo feitos, será que estão com preço correto? Aumentar a receita não é aumentar os impostos. Eu sou contra isto. É preciso aumentar a base arrecadadora, fazendo com que todos paguem, porque hoje praticamente a metade dos contribuintes pagam e quem paga, paga por quem não paga. A informalidade é muito grande e precisamos diminuir isto, porque essa informalidade prejudica as empresas formais de crescerem.
Diário da Manhã – Qual sua opinião sobre os incentivos fiscais? Júnior Friboi – Os incentivos são bons, mas precisamos perguntar se não estão trazendo uma guerra fiscal e se isto não está sendo ruim. Estamos trazendo empresas de outros Estados e dando incentivos bilionários. Precisamos ver qual o custo disso para o Estado. Talvez esse debate precise ser bem aprofundado para avaliar se não é melhor dar incentivo para empresas que surgiram em Goiás e que estão a tanto tempo aqui gerando empregos e sofrendo para se manter no. Será que essa renúncia fiscal é boa para Goiás ou se conceder incentivos para empresas goianas não possa ser melhor? Para rever isso é preciso que o povo tenha vontade de mudar. Isto é a melhor aplicação da democracia. A alternância é a coisa mais salutar para a sociedade. Alternância de ideias, de gestão, de personagens, de inovação, de pensar grande.
Diário da Manhã – Como promover o crescimento do Estado com essa inovação? Júnior Friboi – Eu penso que é necessário fortalecer as cidades no interior e regionalizar o desenvolvimento do Estado. As pessoas estão migrando do interior para a capital em busca de renda, trabalho, estudo e condições melhores de vida. É preciso investir em qualificação e requalificação de mão de obra para ampliar o índice de ocupação desses empregos. Precisamos rever o Estado que queremos para um futuro promissor. Reordenar o pensamento e os projetos para não parar de crescer.
Diário da Manhã – No aspecto político, o que é preciso mudar? Júnior Friboi – Vejo que nesses 16 anos, esse grupo que está no governo, administrou só para ele, sem pensar no resto do povo, o que é lamentável. Entendo que estão governando só para a minoria e o resto do povo não é incluído em um plano de governo. Vamos rever tudo isto e fazer um governo para toda a população goiana. Na disputa do próximo ano, tenham certeza, vamos apresentar uma chapa forte para o governo de Goiás e vamos juntos com a presidenta Dilma para a reeleição.
Fonte: DM.com.br.