Notícia Jalles e Éliton querem derrotar Marconi com seus problemas pessoais?
23 de abril de 2014 - Orcedino Junior
Jalles e Éliton querem derrotar Marconi com seus problemas pessoais?

O governador Marconi Perillo adiou para junho o anúncio de sua candidatura à reeleição. Para alguns, os mais próximos, diz que preferia deixar a vida pública. Na prática, intensifica suas ações, típico de quem deseja concorrer. Se realmente quiser continuar no cargo, terá seu mais duro teste: em 1998, foi a surpresa; em 2002, a consolidação; em 2010, a volta para arrumar a casa. Neste ano, resta a Marconi a comparação: qual dos adversários tem condição de trabalhar mais e melhor do que ele? Nas pesquisas, surge um nome, Iris Rezende, nos calcanhares de Marconi em todos os levantamentos. De tanto construir vilas mutirões, Iris passou a ter um teto, 44%. O problema (para Marconi) é que surgiu alguém sem limite para crescer, o petista Antônio Gomide, ex-prefeito de Anápolis. Contra uma novidade sem desgaste e um experiente que fez muito pelo Estado, resta a Marconi juntar o maior número possível de lideranças. Não é o que pensam o vice-governador José Éliton e o prefeito de Goianésia, Jalles Fontoura.

Segundo o raciocínio de Jalles e Éliton, mais conhecidos como Jalin e Dotô Júnior, Marconi tem votos suficientes para se reeleger, não precisa de reforço. Ainda bem para Marconi que os neurônios avariados são minoria em seu grupo, pois quem analisa política de modo tão excludente não sobrevive em cargo majoritário estadual. O próprio governador deseja engrossar as fileiras. A maioria dos governistas defende a aliança de Marconi com Vanderlan Cardoso vice e Ronaldo Caiado senador. As opções, anunciadas por Marconi com bastante antecedência, eram manter Éliton de vice e lançar Vilmar Rocha para o Senado – a antecedência foi tamanha que se tornou fritura. Éliton e Vilmar brigaram para valer, mas parecem ter voltado às boas. Ambos são egressos do PFL/DEM, onde enfrentaram Caiado, assim como Jalles.

Ou seja, Éliton e Jalles estão jogando no colo de Marconi as brigas particulares que tiveram em suas siglas. Éliton rejeita Caiado por ser ruim a aliança com o DEM? Não, a animosidade se deve ao fato de que a composição mais falada na imprensa seria Caiado no lugar de Vilmar e Vilmar no lugar de Éliton, que ficaria fora. Seguindo esse pensamento, Éliton não ataca a candidatura de Caiado na base de Marconi por ser ruim, mas por significar a sua defecção. Não importa que Caiado seja útil para Marconi, o que importa é segurar o osso. A briga de Caiado com Éliton é recente, data de 2012. Caiado queria Éliton candidato a prefeito de Goiânia e o resultado foi o rompimento.

Rememorando para se localizar Éliton na história. O vice de Marconi em 2010 seria indicado pelo DEM. Foram citados diversos, entre eles dois do Sudoeste, o agropecuarista José Eduardo Fleury, de Quirinópolis, suplente de senador; e Heuler Cruvinel, de Rio Verde, atualmente deputado federal. Heuler, jovem e inexperiente, vazou para a coluna “Giro” do jornal “O Popular”, que estava escolhido vice-governador. Marconi e Caiado detestam antecipações. Caiado tirou Heuler da jogada e se reuniu com sua turma para arrumar outro. Preferiu seu advogado José Éliton Júnior, que reunia méritos como fidelidade e amizade, virtudes raríssimas em política. Pronto!, achou um vice. Caiado rifou Heuler, levou Éliton à convenção, que o homologou. A fidelidade e a amizade de Éliton a Caiado duraram pouco.

Em entrevista à rádio CBN na semana passada, Éliton saiu de seu habitual linguajar polido e pulou na jugular de Caiado. Em artigo no jornal O Popular e entrevista no Jornal Opção, Jalles atirou na testa de Caiado. Trata-se de uma caçada suicida. Na verdade, Éliton atingiu a aorta de Marconi, Jalles acertou a cabeça do governador. Os argumentos de Éliton e Jalin são rasos como um umbigo. E foi olhando para os próprios umbigos que os dois teceram as críticas a Caiado. Em resumo, quiserem descontar em Caiado a raiva que alimentam por outros motivos. No caso de Éliton, a exclusão da chapa; no de Jalin, uma rusga antiga. Ambos pensaram apenas em si mesmos e na possível vingança contra Caiado. Os dois se esqueceram de que poderia haver uma causa a ser defendida: a continuação do Tempo Novo no poder. (Tempo Novo é o movimento que levou Marconi ao governo em 1998.)

Éliton e Jalles são profissionais de qualidade, inteligentes, honestos, competentes, com longa carreira a ser vivida em favor de Goiás, que precisa de políticos de alto nível, como os dois são. Porém, o ódio contra Caiado turva-lhes a mente, venda-lhes os quatro olhos. Para vetar a candidatura de Caiado pela base aliada do governo, a dupla prefere arriscar a devolver o governo a Iris ou entregar Goiás nas mãos do PT. Jalles e Éliton possuem qualidades inquestionáveis, mas expõem o defeito da passionalidade, mortífera em política, aterradora em eleição.

Caiado nunca abriu a boca para soltar uma sílaba anunciando que quer ser candidato a senador na chapa de Marconi. Caiado é refém do Democratas, que vai com o PSDB de Aécio para presidente da República e quer ir com o PSDB de Marconi para governador. Caiado não é amigo de Marconi, mas em política (e, sobretudo, em eleição) amizade depende muito do calendário. O amigo de hoje pode ser adversário na convenção e inimigo na urna. Mesmo não sendo bons amigos um do outro, Caiado e Marconi ajudaram Goiás a se livrar do PMDB em 1998 e, em 2010, evitaram a volta de Iris ao governo. Jalles e Éliton nunca foram fundamentais para Marconi – Caiado foi vital para Marconi em 1998, 2002 e 2010. Sem Caiado, não teria para Marconi contra Iris em 1998, Maguito Vilela teria vencido em 2002 e Iris teria ganhado em 2010.

O marconismo de Jalles é um pouco mais velho, mas o de Éliton começou em 2011, ainda faz cocô em fralda. Marconi pode ser muita coisa, idiota ele não é. É uma máquina de fazer política, inigualável no ritmo de campanha, precisa ser melhor do que ele para vencê-lo. Marconi sabe que sua reeleição é uma incógnita e seria facilidade se contasse com o imenso prestígio, o eleitorado fidelíssimo e as causas patrocinadas por Ronaldo Caiado. Amansaria Éliton com meio minuto de conversa, porque Marconi conhece as teorias de vice e senador:

Vice tem a obrigação de possuir ou muito dinheiro, ou muitos votos, ou muitos partidos, ou muito tempo na TV, ou fatias do eleitorado, ou domínio de grandes áreas do Estado, de preferência com mais de uma dessas assertivas. Éliton tem muito dinheiro? Não. Tem muitos votos? Não. Tem muitos partidos? Nem o PP inteiro. Tem muito tempo de TV? Só o do PP e ainda assim se ele não for o vice o partido vai com Marconi do mesmo jeito. Tem fatias do eleitorado? Nenhuma. Domina grandes áreas do Estado? Sim, algumas cidades do Nordeste goiano, mas de poucos eleitores – na maior da região, Posse, seu pai foi candidato a prefeito e perdeu para um dentista que é o pai e mãe da incompetência administrativa.

Senador não pode ser mochila pesada nas costas do governador. Durante as carretas, o governador, o vice e o senador têm de ser conhecidos o suficiente para o público saber quem são aqueles três ali abanando as mãos em cima da caminhonete. Caiado e Marconi são inconfundíveis, quem está na rua os identifica à primeira olhadela. Seria mentira dizer o mesmo de Éliton? Candidato a senador, Caiado poderia ter vida própria e colocar alguém para discursar pró-Marconi que estaria bom para todos eles. Ruim mesmo é seguir Éliton e Jalles e abrir mão de ter a seu lado o melhor orador do Estado, com o melhor discurso, conteúdo confiável, link com as ruas.

Caiado soube se modernizar e é o político goiano mais influente na internet, principalmente em Facebook (100 mil amigos) e Twitter (33 mil seguidores). É o que deveriam fazer Jalles e Éliton, se aproximar da juventude (afinal, são novos na idade – ainda mais se comparados a Iris). Em vez de defenestrar quem poderia ser crucial para seu grupo político, a dupla poderia articular outros setores da sociedade, da economia, da cultura. Marconi depende de pouca coisa para ser anunciado candidato à reeleição, mas precisa de muita coisa para ser reeleito. Uma das coisas que ele deveria ter era uma companheirada consciente de que o governo não é sua briguinha particular, de que o Estado não é seu umbigo sebento e cabeludo.

(Nilson Gomes, jornalista) DM

Acessos - 67