
O sonho da maioria das mulheres é ver os homens “grávidos”. Isso não é algo impossível, talvez, em um futuro distante, o fato possa vir a acontecer. Pessoas que nascem com pseudo-hermafroditismo feminino podem engravidar após se submeter a procedimentos cirúrgicos e tratamentos médicos. No caso de homens não hermafroditas, isso só seria possível a longo prazo, depois do aprimoramento de pesquisas, já em andamento. Se considerarmos que existiam coisas impossíveis no passado, superadas, que fazem parte do nosso cotidiano, crer que um homem pode engravidar não é tão absurdo. Um dos prováveis empecilhos à gravidez, em discussão, é o risco que eles correriam. Sem contar a possibilidade de não serem bem vistos, vez que gravidez masculina vai contra a lei da natureza.
Tudo que envolve mudanças de atitude do ser humano influi diretamente na opinião e na vida da sociedade. Essas oscilações drásticas de comportamento nem sempre são bem vistas. A gravidez masculina, quando chegar a acontecer, deve ser tratada com muito cuidado, para que não se crie um novo gênero de preconceito. É o psicológico desses futuros “papais”, e das pessoas, que estará em jogo. A aceitação dessas crianças, perante o mundo, também pode ser difícil.
Para o médico ginecologista Waldemar Alves do Amaral, a possibilidade de pessoas do sexo masculino engravidarem existe, mas somente no futuro. “Pessoas hermafroditas hoje não conseguem reproduzir. Elas têm testículos, a área externa ambígua, os ovários não funcionam, o que as impede de ter filhos. No caso de pseudo-hermafrodita feminino, ele tem ovário, cromossomo, enfim, características femininas. Só seria preciso a cirurgia externa, para que ela pudesse ter vida sexual ativa. Pseudo-hermafrodita masculino não conseguiria engravidar porque quase tudo no corpo dessas pessoas é do sexo masculino. O que pode ser feito é a cirurgia de correção da genitália externa. Quando falamos de homens (não hermafroditas), a situação muda. Ainda não existe transplante de útero para eles, além de não ovular, precisariam passar por um procedimento chamado haploidização (produção de uma célula haploide a partir de uma diploide por perda progressiva de cromossomos), depois uma cirurgia para transformação do pênis em vagina, e por último, uma fertilização in vitro. É bem complexo, teríamos de pesquisar e criar tudo. A gravidez masculina não é impossível, ainda mais se levarmos em consideração a evolução da Ciência, talvez um dia poderemos ver um homem grávido”, explica o médico.
O que já existe
A história de Thomas Beatie, um transexual que conseguiu engravidar, mostra que tudo é possível. Ele é conhecido como o primeiro transexual masculino da história a ter uma criança. Apesar de ter nascido mulher, Thomas se submeteu à cirurgia de mudança de sexo, na qual retirou os seios e deu início ao tratamento hormonal. No entanto, o aparelho reprodutivo ainda não havia sido retirado, e por isso, após um processo de fertilização, conseguiu engravidar. Beatie era casado, sua esposa não podia mais ter filhos, em consequência de uma hesterectomia (extração do útero). Thomas deu à luz três filhos.
Segundo o site Fc Notícias, outro motivo forte para acreditarmos que a gravidez dos homens pode ser possível é dado pelo médico britânico Robert Winston. Trata-se de um dos maiores especialistas em inseminação artificial da Grã-Bretanha. Segundo ele, as técnicas para tornar essa gravidez possível já existem. É um tratamento à base de altas doses de hormônios femininos.
O pesquisador explica que os médicos poderiam implantar o embrião no abdômen do homem e ligar a placenta a algum órgão interno, como o intestino. O que daria condições ao embrião de receber os nutrientes necessários para se desenvolver. O parto do bebê seria feito através de uma cesariana.
Winston reconhece que o procedimento é perigoso e há riscos. Um deles seria uma forte hemorragia na placenta, o que mataria o feto, e pode acontecer pela ausência de uma parede uterina para protegê-lo, ou à compressão de outros órgãos (fígado, intestino, estômago). Além de todos esses riscos, o excesso de hormônios femininos pode trazer a possibilidade da formação de seios no homem.
Para o médico, a gravidez masculina interessará principalmente a casais homossexuais, ou àqueles em que a mulher tem problemas de reprodução. O especialista ainda não decidiu quando vai experimentar a técnica, mas garante já ter dezenas de voluntários. Outros cientistas consideram a pesquisa de Wiston perigosa, uma distorção da natureza.
Estamos prontos?
O profissional especialista em Psicologia Social Wadson Arantes Gama esclarece que, hoje, a existência de homens grávidos não seria bem aceita pela população. “Na verdade, a sociedade não está preparada para aceitar a gravidez masculina. Ainda convivemos com o pensamento de família constituída pela mãe, mulher que cuida e protege seus filhos. O pai, provedor do lar, e que oferece proteção também, mas de outra forma. As relações mudam e a sociedade cria novas possibilidades. As mulheres há cerca de 100 anos não podiam usar calças. Homens engravidando, hoje, seria algo antinatural. Apesar de estarmos lidando com suposições, isso vai muito além do aceitável na sociedade de agora”, esclarece.
Wadson também fala sobre as consequências em relação à criança que viesse a nascer de um homem. “Na atual realidade, as crianças adotadas por casais homoafetivos sofrem preconceito, imagina então se nascesse de um homem. A reação das pessoas seria a mesma. Quando acontecer, e eu acredito que não seja breve, talvez as coisas estejam diferentes e a aceitação seja mais fácil. Mas isso não há como prever”, ressalta o psicólogo.
Ele diz ainda que temos dificuldades em enfrentar “a minoria”. “Grupos religiosos têm doutrinas que não aceitam algumas mudanças, além deles há outras pessoas com resistência. O que é correto ou não, precisa de esclarecimento para não se tornar preconceito. Por isso, existe hoje os Estatutos da Criança e do Idoso. Dizer que é errado espancar ou bater em uma criança, entender que adolescentes de 14, 15 anos se oferecem ou provocam, e por isso acontece algo com elas. Direitos humanos e respeito ao próximo são essenciais”, conclui.