Notícia
03 de abril de 2026 - Orcedino Júnior
Uma movimentação política ligada ao entorno do prefeito Renato de Castro começou a ganhar força nos bastidores. Segundo informações divulgadas por um blog alinhado à base governista, a primeira-dama Igara de Castro pode deixar a Promoção Social até esse sábado, 4 e disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, enquanto o chefe da Casa Civil, Manoel de Castro, o Fião, que já deixou o cargo, seria lançado como candidato a deputado federal.
A estratégia, conforme a leitura política, é clara: preservar e capitalizar o eleitorado expressivo de mais de 28 mil votos conquistados por Renato nas últimas eleições municipais, transferindo esse capital político para nomes diretamente ligados ao núcleo familiar.
Estratégia eficiente — e controversa
Do ponto de vista eleitoral, o movimento é considerado inteligente. Apostar em nomes com forte vínculo direto com o prefeito pode facilitar a manutenção de uma base consolidada e garantir competitividade nas urnas.
Por outro lado, a articulação também levanta críticas. Nos bastidores, cresce a avaliação de que a estratégia remete a práticas políticas de outras épocas, marcadas pela concentração de força eleitoral em grupos familiares e pela tentativa de transferência quase automática de votos — o que muitos classificam como uma reedição moderna do chamado “curral eleitoral”.
Desafios reais nas urnas
Apesar da força política do grupo, o caminho está longe de ser simples. Na disputa por uma vaga de deputado estadual, a possível pré-candidata Igara de Castro terá pela frente nomes de pré-candidatos já consolidados, como o ex-prefeito e ex-deputado estadual por seis mandatos Hélio de Souza, além do atual deputado estadual dr. José Machado, que tem intensificado sua atuação, especialmente na população mais carente, com foco na área da saúde,
Já na corrida por uma cadeira na Câmara Federal, Fião poderá enfrentar um adversário dentro da própria família: o sobrinho, o ex-prefeito Leonardo Menezes, o Leozão, que já confirmou a sua pré-candidatura ao Congresso. A presença de um parente direto na disputa adiciona um ingrediente ainda mais delicado ao cenário político local.
Além disso, a disputa federal tende a ser pulverizada, com diversos candidatos que tradicionalmente “papam votos” em Goianésia, reduzindo a margem de transferência direta do eleitorado.
Risco tem que ser calculado
Aliados apostam que a atual popularidade de Renato de Castro será decisiva para impulsionar tanto Igara de Castro quanto Fião. A dúvida, no entanto, é até que ponto o eleitorado está satisfeito com a gestão e aceitará essa transferência de protagonismo — especialmente diante de adversários com trajetória própria e densidade eleitoral comprovada.
A oposição, por sua vez, já observa o movimento como oportunidade para reforçar o discurso contra a concentração de poder e questionar o modelo de sucessão política dentro de um mesmo grupo familiar.
Eleição aberta e imprevisível
Se confirmadas, as candidaturas devem acirrar ainda mais o cenário político local. De um lado, um grupo forte, organizado e com alta capacidade de mobilização. Do outro, adversários experientes e um eleitorado cada vez mais atento e menos previsível.
No fim, a estratégia pode até ser eficiente no papel — mas, na prática, carrega um desafio antigo da política: transformar votos pessoais em votos transferidos, sem que isso soe, para o eleitor, como apenas mais uma tentativa de controle político nos moldes do passado.