Notícia
28 de maio de 2026 - Orcedino Júnior
A oferta de moradias populares em Goianésia voltou ao centro do debate após a divulgação do número de unidades do programa Casas a Custo Zero destinadas ao município: apenas 46 residências para uma cidade com mais de 70 mil habitantes. O dado chama atenção principalmente quando comparado a municípios significativamente menores, mas que receberam números semelhantes — e até superiores — de unidades habitacionais.
A própria Agehab informa que o programa ultrapassou 6 mil unidades em Goiás. Mas, em Goianésia, os números levantam questionamentos.
Comparativo entre cidades e número de casas
Município População aproximada Casas destinadas
Goianésia +70 mil habitantes 46
Padre Bernardo 34 mil habitantes 27
Rianápolis 4 mil habitantes 97
Uruana 14 mil habitantes 49
Vila Propício 6 mil habitantes 29
O caso mais emblemático é o de Rianápolis: com uma população muito inferior à de Goianésia, o município recebeu mais que o dobro de unidades habitacionais. Já Uruana, com população várias vezes menor, recebeu mais casas que Goianésia. A comparação evidencia uma pergunta inevitável: quais critérios estão sendo utilizados para distribuir os investimentos habitacionais?
Além do número absoluto, outro dado escancara a dimensão da demanda reprimida. De acordo com os dados divulgados pela agência, foram classificados para o sorteio 1.310 candidatos. Já outros 472 inscritos foram desclassificados por inabilitação, enquanto 1.454 candidaturas foram consideradas incompletas.
Assim, o sentimento entre muitas famílias é de frustração. Para uma cidade polo regional, economicamente forte e com população crescente, receber apenas 46 casas parece distante da realidade local.
Quando cidades com 6 mil, 14 mil ou 20 mil habitantes recebem números próximos — ou maiores — de casas populares, a discussão deixa de ser apenas sobre habitação e passa a ser também sobre prioridade, planejamento e representatividade.