Notícia Fraude em vale-alimentação deixa prejuízo de mais de R$ 800 mil em Barro Alto
24 de setembro de 2026 - Orcedino Júnior
Fraude em vale-alimentação deixa prejuízo de mais de R$ 800 mil em Barro Alto

Operação prende grupo suspeito de frauder licitações em cartões de alimentação â?? Foto_ Repr

O município repassava mensalmente à empresa os valores destinados aos benefícios. Cabia à empresa, por sua vez, realizar os pagamentos aos estabelecimentos comerciais onde os servidores utilizavam os cartões.


O problema, segundo a investigação, ocorreu quando os pagamentos aos comerciantes começaram a atrasar. Em 2025, os repasses teriam deixado de ser realizados de forma regular e, em setembro daquele ano, foram completamente interrompidos.


O resultado foi um forte impacto no comércio local. Em Barro Alto, os estabelecimentos que aceitaram os cartões ficaram sem receber mais de R$ 800 mil em vendas, conforme os dados levantados pela Polícia Civil.


Prejuízo superior a R$ 200 mil em um comércio

Um dos casos que mais chama atenção na investigação é o de um único estabelecimento comercial de Barro Alto, que declarou ter sofrido prejuízo superior a R$ 200 mil.


O caso revela a dimensão do impacto provocado pela interrupção dos pagamentos, já que os comerciantes haviam fornecido produtos aos servidores acreditando que receberiam posteriormente os valores correspondentes por meio da empresa responsável pela administração dos cartões.


Empresa atuava em mais de 220 municípios

Segundo a Polícia Civil, a empresa investigada mantinha contratos com mais de 220 municípios de nove estados brasileiros: Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.


A investigação aponta que a empresa teria utilizado uma estratégia semelhante à de uma pirâmide financeira.


De acordo com os investigadores, a empresa conquistava contratos públicos oferecendo descontos considerados muito baixos para os municípios. Os descontos tinham média de 17%, mas chegavam a 30,5%.


A suspeita é de que os recursos recebidos por meio de novos contratos eram utilizados para cobrir pagamentos atrasados de contratos anteriores. Dessa maneira, a empresa teria conseguido manter, durante determinado período, uma aparência de regularidade.


Com a redução da entrada de novos contratos, entretanto, o sistema teria entrado em colapso, deixando comerciantes sem receber pelos produtos vendidos.


Alegação de ataque hacker


Ainda segundo a Polícia Civil, quando começaram as cobranças por parte dos comerciantes, os responsáveis pela empresa teriam afirmado que os problemas nos pagamentos eram consequência de um ataque de hackers.


Também teria sido mencionado um suposto processo criminal em andamento na Justiça de São Paulo. Durante as investigações, porém, a Polícia Civil afirma não ter localizado o processo citado.


Posteriormente, segundo a apuração, os responsáveis pela empresa deixaram de prestar informações aos comerciantes.


A investigação continua para esclarecer toda a extensão do esquema, identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar os prejuízos provocados nos mais de 220 municípios que mantinham contratos com a empresa.


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