Notícia
04 de julho de 2026 - Orcedino Júnior
Se existe uma marca registrada do mata-mata da Copa do Mundo de 2026, ela atende por uma palavra: drama.
Até aqui, 10 das primeiras 16 partidas eliminatórias foram decididas apenas nos minutos finais do tempo regulamentar, na prorrogação ou nos pênaltis.
Embora o novo formato tenha dobrado o número de partidas de mata-mata nesta edição, o feito é muito expressivo. Esta edição já igualou as cinco prorrogações registradas em todo o Mundial de 2022 e está a caminho de se aproximar dos recordes de 1990, 2006 e 2014, quando oito jogos precisaram de tempo extra.
A partida que melhor simboliza essa mistura de equilíbrio com drama é a vitória argentina sobre a estreante Cabo Verde.
Classificação com a melodia do tango
Se existisse uma trilha sonora para o que aconteceu ontem à noite em Miami, nenhuma seria melhor do que essa.
Porque, durante mais de duas horas, a Argentina viveu exatamente aquilo que o gênero musical representa: tensão, sofrimento e alívio.
Por una cabeza… Foi nesse rito de tensão que a Argentina conseguiu bater a adversária africana e escapar daquela que poderia ter sido a maior zebra da história dos mata-matas das Copas.
O roteiro inicial indicava uma classificação tranquila para os hermanos. Messi abriu o placar aos 29 minutos, marcando seu 20º gol em Copas do Mundo e ampliando um recorde que já parecia inalcançável.
Com ampla posse de bola, domínio territorial e inúmeras oportunidades, tudo indicava que seria apenas uma questão de tempo até a vantagem aumentar.
Foi justamente aí que os argentinos relaxaram.
Era tudo que Cabo Verde precisava. A seleção, que já tinha surpreendido Espanha, Uruguai e a Arábia Saudita na fase de grupos, mostrou novamente por que se tornou a sensação deste Mundial.
Deroy Duarte empatou ainda no tempo regulamentar e levou o confronto para a prorrogação.
A Argentina voltou a ficar na frente logo no início do tempo extra, com Lisandro Martínez. Só que, mais uma vez, os africanos recusaram-se a desistir com esse golaço de Sidny Lopes Cabral — um dos mais lindos desta Copa.
As dezenas de milhares de argentinos presentes no Hard Rock Stadium assistiam incrédulos. Foi preciso que a Argentina desse absolutamente tudo para evitar um vexame histórico.
A vitória só veio aos 111 minutos, quando um cabeceio de Cristian Romero desviou em Diney Borges e terminou no fundo da rede. Um gol contra salvou os campeões do mundo.