Notícia Faculdades de jornalismo buscam acompanhar mudanças da comunicação digital
18 de março de 2013 - Orcedino Junior
Faculdades de jornalismo buscam acompanhar mudanças da comunicação digital

A Redação - O mercado está em expansão, apresenta novas oportunidades de trabalho e funções, mas ainda faltam profissionais preparados para trabalhar com jornalismo online. Essa é a realidade no âmbito nacional e, em Goiás, a situação não é diferente. No entanto, não faltam cursos de jornalismo, que de alguns anos para cá, incorporaram em suas grades curriculares disciplinas como webjornalismo, comunicação na web ou produção multimídia.

O aluno que chega à faculdade de jornalismo tem a internet como principal meio para se informar. No entanto, apesar de estar habituado às mídias digitais para o consumo de informação, o interesse maior não é pelo jornalismo online. Esta é a constatação da coordenadora do curso de Jornalismo da Faculdade Sul Americana, Julena Santos. No semestre passado, não houve nenhum trabalho de conclusão de curso relacionado ao tema, nem na Faculdade Sul Americana, nem na PUC-Goiás.

A coordenadora do curso de jornalismo da PUC-Goiás, Sabrina Moreira, conta que, geralmente, o interesse começa a ser despertado ao fim do curso. “Na calourada deste ano, alunos perguntaram por jornalismo online. Mas, geralmente, o calouro não se atenta muito para esse mercado”, diz. Por outro lado, segundo a coordenadora, na experiência desta universidade, é possível perceber a boa relação que os alunos têm com as redes sociais e o universo digital e online.
Em Goiânia, cinco faculdades oferecem curso de jornalismo:  a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), a  Universidade Federal de Goiás (UFG), Faculdades Avles Faria (Alfa), Araguaia e Sul Americana (FASAM). Todas oferecem disciplinas relacionadas a jornalismo online. Além das disciplinas voltadas exclusivamente ao webjornalismo, os alunos têm contato com o tema em outras cadeiras, como em produção de textos. 

As faculdades buscam complementar a formação em webjornalismo com palestras, aulas inaugurais e seminários. É o que fazem, por exemplo, as faculdades Sul Americana e da PUC-Goiás. Algumas das grades foram criadas em 2005, mas há uma preocupação constante das faculdades em atualizar as ementas.

Faculdade de Jornalismo Número de disciplinas Nome
Alfa 1 Webjornalismo
Araguaia 2 Webjornalismo I
Webjornalismo II
Fasam 3 Produção multimídia em jornalismo
Agência de Notícias Online
Webjornalismo
PUC-Goiás 2 Comunicação na Web
Webjornalismo
UFG 1 Webjornalismo
UFG
Na Universidade Federal de Goiás, um novo laboratório, onde será possível trabalhar todas as mídias de forma integrada, deve começar a funcionar este ano. Com essa possibilidade, o coordenador do curso de jornalismo, professor Juarez Maia, acredita que o aluno será mais bem preparado para trabalhar de forma multimídia.

“Antes, no entanto, os alunos devem passar por uma boa formação em cada veículo, de forma separada”, diz professor Juarez se referindo às disciplinas como telejornalismo, radiojornalismo, impresso e webjornalismo. A ideia é que o aluno tenha domínio de cada uma, separadamente, para depois trabalha-las de forma integrada.
Juarez Maia, coordenador do curso de jornalismo da UFG (Foto: divulgação)

A faculdade prima, ainda, por uma formação básica, apostando em disciplinas como Ética, Psicologia e Português. Para o professor Juarez Maia, essas disciplinas garantem a formação de profissionais de qualidade. “Os alunos tendem a deixar essas disciplinas para trás, o que não é recomendado”, conta se referindo à grade em que o aluno tem direito a escolha de quase metade das disciplinas.

“O aluno com afinidade com webjornalismo, geralmente, não gosta de muita leitura”, diz Juarez, justificando a necessidade de levar a sério tais disciplinas básicas.

Realidade do mercado distante do mundo acadêmico

De acordo com o jornalista e coordenador do Master em Jornalismo Digital do Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), Sérgio Ludtke,  que também é professor de mídias sociais e foi editor executivo do portal clicRbs e do site da revista Época, a universidade já recebe um aluno com drive digital, mas poucos cursos conseguem aproveitar esta condição e propor um desenvolvimento dessa habilidade. 

Sérgio Lüdtke aponta dificuldades de empresas do setor (Foto: arquivo pessoal)
“A realidade do mercado fica cada vez mais distante do mundo acadêmico e eles correm o risco de se tornarem universos paralelos. O fato é que as empresas do setor enfrentam hoje uma dupla dificuldade: recebem profissionais recém formados com pouco ou nenhum conhecimento de jornalismo online e profissionais já experientes em outras mídias que já não encontram espaço por lá, mas que também carecem de formação para o online”, explica o professor.

A realidade, para Lüdtke, é um mercado que recebe jornalistas pouco preparados, o que implica em dificuldades para evolução das empresas que trabalham com jornalismo digital. “A formação deficiente é um dos grandes entraves para a evolução das empresas que operam na comunicação digital”, comenta.

Para o professor, falta ao mercado bons jornalistas com conhecimento das linguagens usadas no online e que resistem a deixar as convicções que formaram em outras mídias. Esse profissional, de acordo com Lüdtke, deve saber ser repórter e editor, ao mesmo tempo.

“O jornalismo não muda a essência. As regras básicas que devem ser seguidas pelo bom jornalista não mudam, mas esse jornalista precisa entender as linguagens e principalmente as características que fazem este meio diferente dos outros. Além disso, o jornalista de online precisa ser repórter e editor, é uma atividade mais complexa, que precisa de um conjunto de habilidades”, explica.

Desafios e promessas
Encontrar profissionais capazes de acompanhar o ritmo de desenvolvimento do jornalismo online, tanto para produção quanto para gestão, são desafios desse mercado que, ao lado de outros, busca modelos de negócios rentáveis e atualização tecnológica.
No entanto, o jornalismo online é um mercado em expansão e, portanto, uma oportunidade para os profissionais da área. A expansão do acesso à internet, a melhoria de hardware, a velocidade de conexão e as redes sociais desempenham papel fundamental no crescimento desse mercado. 

Para o jornalista Sérgio Lüdke, é difícil para a academia acompanhar a evolução do jornalismo online. “Se para as empresas já é difícil acompanhar as mudanças, para a universidade é ainda pior”, diz. Por isso, falta uma boa formação e preparo desses alunos para esse mercado. De acordo com o professor, muitas vezes, o profissional que chega ao jornalismo online é imaturo como jornalista.

“O mercado tradicional ainda trabalha no desenvolvimento desse jornalista por muitos anos para suprir as deficiências de formação. Nas redações online há um complicador. Como a apuração própria é uma novidade para grande parte das empresas, a experiência dos profissionais na reportagem é deficiente. Às vezes, o profissional já tem uma boa noção de tecnologia, é experiente em interação, domina as linguagens multimídia, mas é muito imaturo como jornalista”, comenta Sérgio Lüdke.
Lüdtke justifica o crescimento do mercado de comunicação digital. “Parte da nossa sociedade trabalha em frente a um computador ou tem acesso à internet. O sujeito é informado com o passar das horas, motivado por interesse próprio ou por links recebidos de diversas fontes, mas sobretudo de seus contatos em redes sociais. Como a internet é uma replicação de parte da sociedade, tem as capacidades de reunir perfis específicos de público e medir tudo o que por ela passa. E nela estão conectadas as pessoas, o que é um caminho natural para o anunciante”.

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