Notícia Dividido, PMDB anuncia pré-candidatura de Iris Rezende
12 de junho de 2014 - Orcedino Junior
Dividido, PMDB anuncia pré-candidatura de Iris Rezende

A presença da cúpula nacional não amenizou o racha interno do PMDB goiano no lançamento da pré-candidatura do ex-governador Iris Rezende ao governo do Estado, na tarde desta quarta-feira, em auditório da Assembleia Legislativa. O palanque foi marcado pela ausência de parlamentares e boa parte dos prefeitos do partido, mesmo depois de Iris ter dito que só aceitaria disputar se sua candidatura fosse “unanimidade” na legenda.

O ex-governador minimizou as divergências e disse, em discurso, não ter dúvidas de que o partido “está unido hoje”. Ele também fez ataques ao governo estadual por ofertas a aliados para que mudem de lado. “Se fizessem política pensando em poder pelo poder, vocês estariam todos de lá. Oferecem tudo o que a pessoa quiser para ir para o lado de lá. Tudo. E vocês não foram”, afirmou, sobre os militantes presentes.

O auditório Costa Lima, com capacidade para 180 pessoas, ficou cheio e uma parte dos participantes teve de acompanhar o evento em telão no corredor de entrada da Assembleia. Antes do início do evento, houve protestos de professores e reação de militantes do partido.

Nenhum integrante da bancada federal compareceu ao evento. Pedro Chaves, Leandro Vilela e Sandro Mabel apoiavam a pré-candidatura do empresário José Batista Júnior, o Júnior Friboi, que desistiu da disputa em 23 de maio. Já a deputada Iris de Araújo está, segundo informações do diretório, de licença médica e não pôde participar.

Da bancada estadual, faltaram dois dos sete deputados: Daniel Vilela e Wagner Siqueira, justamente os dois mais empenhados na pré-candidatura de Júnior. O prefeito de Jataí, Humberto Machado, também não compareceu.

O evento durou menos de uma hora, com apenas cinco discursos, além de Iris – presidente do diretório estadual, deputado Samuel Belchior; prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela; deputado estadual Bruno Peixoto, como representante da bancada; presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO) e o vice-presidente da República, Michel Temer.

Iris focou seu discurso de 18 minutos nos motivos pelos quais decidiu disputar o governo pela quinta vez. Repetiu ser grato ao povo de Goiás e a Deus por sua trajetória política, afirmou que ficou mais forte com as derrotas e citou personagens bíblicos que tiveram conquistas com mais de 100 anos.

“Eu vi em entrevista coletiva, com Michel e Raupp, um jornalista dizer assim: Ele perdeu em 1998, perdeu em 2010, agora vai disputar de novo? Até deixou os dois meio confusos. Eu vou responder para ele. Nós temos um provérbio lá na roça que eu aprendi ainda menino: “Água em mole em pedra dura tanto bate até que fura”, afirmou, completando que vai “redimir a honra e a dignidade de Goiás, que se sentiu nacionalmente envergonhado quando o poder se misturava aos marginais” – em referência ao caso Cachoeira.

O ex-governador repetiu por cinco vezes que “eles não entendem” o porquê de sua candidatura. “Uma coisa eles não entenderam ainda. Mas o Iris, com 80 anos, ainda vem se meter a ser candidato? Eles só não sabem de uma coisa. Aquilo que Deus proporcionou um dia a Moisés até os 120 anos, aquilo que Deus proporcionou a Caleb que com 85 anos iria assumir o monte a que ele estava destinado. E ele foi também lá pelos cento e tantos anos. É o que Deus me tem proporcionado. É. Eles não entendem.”

Iris também afirmou que não entra na disputa por vingança. “Não buscamos o poder pelo poder, nem por instrumento de vingança ou de massacre de quem quer que seja. Buscamos o poder como instrumento da construção de um Goiás e de um futuro melhor. Buscamos o poder movidos pelo amor e pelo sentimento de Pátria”, disse.

Ao final, alfinetou as lideranças ausentes: “Na hora do voto, quem define não é o deputado, o senador, o presidente. Não é. Quem define é o pai, a mãe, o jovem, o operário, o profissional liberal – através do voto. É o povo.”

Samuel Belchior minimizou as ausências. Disse que todos os parlamentares foram “100% a favor” da candidatura de Iris e que só precisam de um tempo para “assimilar” a nova situação. “Muitos torceram pela divisão, para que o PMDB não tivesse candidato ou por uma nova derrota. Tenho um recadinho a eles: apertem os cintos”, disse Samuel no discurso. “Será a campanha mais forte do PMDB desde 1982”, completou.

Em entrevista ao Papo Político, na CBN Goiânia, Iris disse que vê com naturalidade as dissidências. Treze prefeitos do partido anunciaram apoio à reeleição do governador Marconi Perillo (PSDB) nas últimas semanas. “O PMDB está unido. Eu tenho certeza disso. Porque nós nos movemos pelo sentimento e amor a esse partido, que não foi fundado para atender o interesse de um ou outro”, disse Iris no discurso.

O Popular

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