Notícia
18 de março de 2026 - Orcedino Júnior
Agência Goiás - Autonomia, inclusão e qualidade de vida são conquistas cada vez mais presentes na vida de pessoas com Síndrome de Down atendidas pelo Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia, unidade da Secretária da Saúde de Goiás.
No Dia Mundial da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, a unidade destaca como o acompanhamento multiprofissional tem sido fundamental para estimular o desenvolvimento e a participação social dos 39 pacientes com a condição genética no Crer.
Síndrome de Down
A data foi escolhida por fazer referência à trissomia do cromossomo 21, característica genética que atinge um em cada 1 mil nascidos em todo o mundo. Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2011, o Dia Mundial da Síndrome de Down busca ampliar a conscientização sobre os direitos, o potencial e a inclusão das pessoas com a condição na sociedade.
De acordo com o diretor técnico assistencial do Crer, Alan Anderson Fernandes, a Síndrome de Down é uma condição genética causada pela presença de um cromossomo extra no par 21.
“Essa alteração genética está presente desde a concepção e pode influenciar o desenvolvimento físico e intelectual da pessoa. No entanto, o desenvolvimento está intimamente relacionado aos estímulos e aos incentivos que recebem, sobretudo nos primeiros anos de vida”, explica.
No Crer, pacientes com Síndrome de Down, principalmente em idade infantil, recebem acompanhamento de uma equipe multiprofissional formada por terapeutas ocupacionais, psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos e musicoterapeutas. O trabalho conjunto contribui para o desenvolvimento motor, cognitivo e social, estimulando habilidades que favorecem maior autonomia nas atividades do dia a dia.
Depoimentos
A pequena Agnes Maria Lôbo, de 3 anos, por exemplo, é uma das pacientes atendidas na unidade. A mãe, Wanessa Lôbo, conta que o diagnóstico foi percebido por ela ainda na sala de parto.
“Ao olhar para minha filha, já identifiquei que ela tinha a Síndrome de Down. Foi um momento de muitas dúvidas e medos, porque não tínhamos convivência com nenhuma pessoa com deficiência”, relembra.
Segundo ela, uma das principais preocupações da família era entender como apoiar o desenvolvimento da filha.
“A gente se perguntava por onde começar, se ela conseguiria ter autonomia, se seria aceita na escola e na sociedade, se conseguiria se desenvolver fisicamente e intelectualmente”, relata.
Agnes iniciou o acompanhamento com especialistas do Crer em 2024, com apenas 1 ano de idade, e começou as terapias em 2025. Atualmente, realiza sessões de fonoaudiologia, terapia ocupacional e equoterapia. De acordo com a mãe, a reabilitação tem sido essencial para estimular o desenvolvimento da criança.
“Por causa da hipotonia (diminuição da resistência muscular ao movimento), as conquistas físicas exigem mais esforço. Desde bebês, eles precisam de estímulos para fortalecer o pescoço, rolar, sentar e andar. Depois vêm outros desafios, como a fala e a autonomia nas atividades do dia a dia”, explica.
Já a história da adolescente Yammane Vytória, de 14 anos, evidencia uma outra fase da reabilitação do paciente com Síndrome de Down, voltada ao processo de amadurecimento. A mãe, Rejane Barbosa, conta que Yammane Vytória vive a adolescência com autonomia, estuda em escola regular e mantém as terapias para apoio no desenvolvimento.