
O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi intimado a depor por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que acatou o pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
O empresário será testemunha no inquérito que investiga suposta relação entre ele e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
Essa é a primeira vez que Cachoeira é intimado a depor em um processo que averigua a suposta relação dele com uma autoridade detentora de privilégios.
Roberto Gurgel entendeu que o procedimento referente a Marconi Perillo precisa de novas diligências, entre elas o depoimento dessas pessoas intimadas. O inquérito investiga suposta corrupção passiva.
Além de Carlinhos Cachoeira, foram intimados a comparecer à audiência o ex-diretor da Delta Construções Cláudio Abreu; o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcêz (PSDB); o ex-presidente do Detran Edivaldo Cardoso; e mais três pessoas envolvidas na venda de uma casa do governador num condomínio fechado de luxo da capital. A comercialização do imóvel deve ser um dos pontos principais da diligência.
A defesa de Marconi Perillo foi intimada sobre a realização da audiência. O advogado do governador de Goiás, Antônio Carlos de Almeida Castro, afirmou que comparecerá à diligência, mas o seu cliente não deve ir, até porque não é obrigado a se apresentar ao juiz.
"Vou à audiência para ouvir as pessoas citadas. Esse é um andamento normal de um processo que o próprio governador pediu para ser aberto. Como várias testemunhas também são investigadas, estão relacionadas ao mesmo fato, não sei se elas vão falar", afirmou Kakay.
O defensor de Cachoeira, Nabor Bulhões, disse não ter sido notificado. "A rigor, o inquérito é contra o governador. Intimado, ele vai comparecer e responder às perguntas, na condição de testemunha."
Interceptações telefônicas apontam que o verdadeiro comprador do imóvel foi Cachoeira e, para isso, ele teria usado testas-de-ferro na transação. As três pessoas a serem ouvidas na audiência são apontadas como laranjas. Cláudio Abreu, Wladimir Garcêz e Edivaldo Cardoso também serão questionados sobre o negócio. Este será o principal mote da diligência.
A audiência, que será comanda pelo juiz federal Alderico Rocha Santos, está marcada para a próxima quarta-feira (17), às 14h20, em Goiânia.
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