
Sem a presença do vice-governador José Eliton e do senador Wilder Morais, o Democratas realizou ontem, em Goiânia, um encontro organizado pelo deputado federal e presidente do diretório estadual, Ronaldo Caiado, quando comunicou oficialmente a sua pré-candidatura ao governo do Estado, em 2014.
No início da noite, Caiado e Eliton se reuniram na casa do deputado Helio de Sousa (DEM), para uma conversa reservada, em busca de entendimento sobre a posição do partido, sem a presença da imprensa.
Pela manhã, o entusiasmo de Caiado com o seu projeto político contrastava com a cautela manifestada por prefeitos e deputados presentes ao encontro, na sede do diretório estadual, por causa da aliança selada com o governador Marconi Perillo (PSDB), nas eleições de 2010, cujo compromisso se estende até 2014. Até lá disseram que continuam integrando a base de apoio ao Palácio das Esmeraldas.
Caiado disse acreditar que, mais do que em 2010, o DEM tem agora condições e chances de lançar candidatura própria, pelas ações do partido ao longo dos últimos anos. “O partido vive o seu melhor momento. De acordo com todas as ações que tomou no decorrer de sua trajetória, vejo que o partido tem essa condição de encabeçar essa luta ao governo do Estado.”
Com essa ideia na cabeça, o democrata se propõe a percorrer o Estado, a partir de agora, realizando encontros reuniões e buscando novas filiações para a composição das chapas majoritária e proporcional. “Vamos buscar musculatura política, é por isso que vamos pôr o pé na estrada”, justificou.
Embora tenham concordado que o partido precisa se fortalecer para o embates eleitorais futuros, os deputados estaduais José Vitti, Helio de Sousa e Nilo Resende, que formam a bancada da legenda na Assembleia Legislativa, defendem a continuidade do apoio ao governador Marconi Perillo, por estarem representados, no Executivo, por José Eliton.
“Compomos a base governista, e a nossa preocupação é de que a gente possa terminar esse dois anos de um grande mandato”, disse José Vitti, em tom de alerta. “Se não fizermos um grande trabalho até 2014, não é só o Democratas que vai ser prejudicado, porque nós compomos a base.”
Condição
Nilo Resende não escondeu a sua simpatia pela pré-candidatura de Caiado, mas com o discurso de que essa condição não poderia interferir na aliança com Marconi. “Estamos deixando clara a nossa posição de ter responsabilidade com a governabilidade do Estado, já ajudamos esse governo desde 1998 e temos compromisso com esse projeto de governo”, pontuou.
Por sua vez, Helio de Sousa reforçou que é direito do partido buscar o seu crescimento para ocupar espaços no cenário político estadual, mas que isso não implica em rompimento. “Somos legítimos representantes da base do governo e o pensamento nosso e dos prefeitos é de mantermos essa parceria. Em 2014 vai sair o pensamento do partido.”
Prefeito de Hidrolândia, Paulo Sérgio Rezende acha que o momento é de aglutinar o partido e fortalecê-lo para as eleições do ano que vem. Reconhece que Caiado é líder do partido e como tal tem legitimidade em postular uma candidatura a governador. Mas lembra que o partido faz parte da base do governador.
‘Propomos mudar o método de governar’
Mesmo o DEM integrando o atual governo, o deputado federal Ronaldo Caiado reforçou, em entrevista à imprensa, o discurso de mudanças no Estado, tanto política como na estrutura administrativa. “O que estamos propondo em Goiás é algo diferente. O método de governar Goiás, nesses últimos 32 anos, a sociedade realmente já disse que está cansada. Já exauriu. O que a sociedade deseja é exatamente um outro modelo político e administrativo de gestão da máquina pública.”
No período citado pelo líder partidário, passaram pelo Palácio das Esmeraldas o PMDB, por 16 anos, de 1983 a 1998, e também, por tempo igual, o projeto denominado de Tempo Novo, corrente encabeçada pelo governador Marconi Perillo e compartilhado por outros partidos, entre eles o próprio DEM (ex-PFL).
Ao ser indagado sobre como conciliar democratas governistas e os que defendem candidatura própria para governador, Caiado não titubeou. “É muito simples. A convenção decide. Ela vai deliberar qual é o rumo do partido. Não vai ter a menor dificuldade. Há os que querem pleitear a vice e outros o governo. Esse é o jogo político. Para isso vamos ter que construir esse processo ao longo deste ano que antecede as convenções.” (V. P.)
Deputado tenta convencer vice-governador
Ronaldo Caiado e José Eliton chegaram à residência do deputado Helio de Sousa pouco depois das 17 horas, e por lá ficaram até as 19 horas. O encontro havia sido acertado entre os dois, num telefone do vice-governador ao presidente do DEM, ainda pela manhã, antes da reunião do partido. Segundo Caiado, Eliton teria justificado a sua ausência do encontro por conta de compromissos previamente agendados. Por isso, teria manifestado sua vontade de uma reunião ainda no final da tarde ontem.
Caiado deixou evidente o distanciamento com o vice-governador, e que por isso há muito não se falavam, mas evitou entrar em detalhes. Em tom de brincadeira, disse que até ficou aguardando um telefonema dele no Natal, o que não teria acontecido.
Apesar do clima nada amistoso, o parlamentar não acredita na possibilidade de José Eliton trocar o DEM pelo PSD, por exemplo. “Não tem sentido. O partido deu a ele a vice-governadoria, o segundo maior cargo do governo. Não acredito que ele deixe o partido. De maneira nenhuma".
Hélio de Sousa disse ter acompanhado o início da conversa, mas que em seguida deixou os dois a sós. Como tinha compromisso em Brasília, Caiado teve de deixar o local pouco tempo depois. “Foi uma conversa bem amena”, relatou o parlamentar a O HOJE. Indagado se via possibilidade de um entendimento entre os dois, Helio de Sousa respondeu que nada poderia prever. “Eles conversaram e ficaram de fazer uma nova agenda para continua a conversa”. (Jornal O Hoje)