Notícia A Copa das Bolas na Rede
23 de junho de 2026 - Orcedino Júnior
A Copa das Bolas na Rede

A Copa do Mundo de 2026 mal começou e já tem produzido números dignos do modo carreira do FIFA.

O primeiro gol de Gakpo na vitória da Holanda por 5 a 1 sobre a Suécia foi o centésimo da competição. O detalhe é que ele aconteceu apenas no 33º jogo do torneio, tornando esta a Copa mais rápida a alcançar a marca de 100 gols desde 1958.

Para encontrar um Mundial ainda mais “acelerado”, é preciso voltar até 1954, na Suíça, quando os três dígitos foram atingidos em apenas 20 partidas.

A média do Mundial até o momento é de 3,03 gols por jogo, a maior em 60 anos. Se mantiver esse ritmo, a Copa de 2026 vai terminar com mais de 300 gols. Para se ter ideia, apenas dois dos 36 jogos terminaram sem gols até aqui nesta edição.

Mas qual a razão para tantas bolas na rede?

Uma das principais suspeitas atende pelo nome de Trionda.

A nova bola desenvolvida pela Adidas tem apenas quatro painéis termicamente unidos — o menor número já utilizado em uma Copa do Mundo e 5x menos do que a bola do Catar em 2022.

Na prática, a mudança altera a aerodinâmica e pode tornar o comportamento da bola mais imprevisível para os goleiros. Pelo menos é o que os números indicam.

Já foram mais de 10 gols marcados de fora da área, incluindo o chute de aproximadamente 30 metros de Mbappé contra Senegal e o primeiro gol de Messi diante da Argélia.

Houve também diversos lances em que goleiros falharam ao julgar desvios ou a velocidade da trajetória.

O curioso é que a média de chutes de fora da área por partida é extremamente baixa (9,3), o segundo menor desde o Mundial de 1966.

Quem trouxe essa discussão à tona foi o ex-goleiro inglês Joe Hart, atualmente como comentarista da BBC. Ele chegou a afirmar que a bola parece acelerar mais rapidamente do que os arqueiros esperam.

A teoria lembra imediatamente a Jabulani de 2010, talvez a bola mais polêmica da história recente das Copas. Mas a Trionda provavelmente não explica tudo.

Altitude alta: Várias partidas estão sendo disputadas em cidades de altitude alta. Em locais assim, o ar é mais rarefeito, oferecendo menor resistência. O resultado é uma bola que viaja mais rápido e percorre distâncias maiores.

Calor: O desgaste físico parece evidente nos minutos finais das partidas devido a fortes temperaturas do verão norte-americano. Dos 109 gols marcados até agora, 31 aconteceram no último quarto de jogo (minuto 76 em diante). Isso representa 28% de todos os gols do torneio, uma proporção que caminha para ser a maior desde 2014.

Talvez seja a bola. Talvez seja a altitude. Talvez seja o calor.

Ou talvez seja a combinação de tudo isso.

O que já sabemos é que os goleiros têm sofrido, os atacantes têm agradecido e os torcedores têm assistido a uma das Copas mais ofensivas das últimas décadas.

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