UEG: Fim dos contratos temporários pode inviabilizar cursos no interior

Prédio da UEG em Goianésia: polo será bastante afetado com as demissões;

A Universidade Estasual começa a desligar servidores comissionados, considerados irregulares pela Justiça, neste sábado, 30. O ato é resultado de uma ação civil pública proposta em 2012 e acatada em acórdão de março deste ano. Com isso, a instituição vai lançar processo seletivo para reposição das vagas dos professores.

De acordo com o cronograma anunciado pela universidade, além deste sábado, também no dia 15 de dezembro devem ocorrer os desligamentos, que somam demissões de 1.469 servidores, sendo 705 docentes e 764 técnicos administrativos — todos com contratos temporários.

O reitor da UEG, Rafael Borges, explicou que a universidade já preparou um edital simplificado a ser lançado em dezembro para suprir as vagas dos docentes. No caso dos técnicos administrativos, serão chamadas as pessoas que estão na reserva técnica do último concurso público de servidores efetivos.

A instituição garante que o serviço de limpeza não será prejudicado, porque uma empresa terceirizada será contratada. Para o treinamento dos novos servidores e para a continuidade dos serviços vitais para a UEG, cerca de 50 servidores técnico-administrativos permanecerão trabalhando.

Rafael Borges, o reitor, frisa que, na UEG hoje, a maioria dos servidores é temporário, ou seja, foi contratada por período delimitado de um ano, com prorrogação de, no máximo, mais 365 dias. Com isso, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) recomendou, ainda em 2014, a redução desse tipo de contratação, quando os temporários representavam mais de 70% da folha.

“Existem casos de contratos que estão irregulares há 18 anos, praticamente desde que a UEG foi fundada”, complementa e destaca que a universidade existe há 20 anos. Ou seja, em 90% do seu tempo de existência houve contratos irregulares.

Em vários campi do interior do Estado, onde a maioria dos professores não são efetivos, a apreensão é grande. Como reorganizar os Campis que necessitam destes docentes e técnicos administrativos? Como ficará a situação de cursos que têm apenas um docente efetivo ou outros, que não tem nenhum? 

docente informou que, na prática, vão trocar contratos temporários por outros contratos temporários. “Concurso público, que seria o ideal, não tem previsão.” Ele disse, ainda, que não sabe como será o ano de 2020. Em algumas cidades, há cursos sem nenhum professor efetivo. “Corre risco de não ter turma no próximo ano.”

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