UDRBolsonaro e Luiz Antônio Nabhan Garcia, presidente da UDR (União Democrática Ruralista).

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, do PSL, indicou nesta quinta-feira, 1.º, que a fusão dos Ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura deve ser revista. “Pelo que tudo indica, serão dois ministérios distintos”, disse. “Pretendemos proteger o meio ambiente sim, mas não criar dificuldades para o nosso progresso.”

A declaração foi dada durante entrevista coletiva a emissoras católicas dois dias depois de a fusão ter sido anunciada pelos futuros ministros Onyx Lorenzoni, da Casa Civil, e Paulo Guedes, da Economia. A decisão recebeu críticas do agronegócio, que teme prejuízos no comércio internacional, já que países que compram do Brasil vêm aumentando a pressão por preservação ambiental

Bolsonaro disse ainda que, se mantiver o Ministério do Meio Ambiente, a pasta será comandada por “alguém voltado para a área, sem ser xiita”. A expressão é a mesma usada por ele na semana passada, quando em transmissão ao vivo para redes sociais havia dito que poderia desistir da fusão do órgão com a Agricultura. Para o presidente eleito, o País é o que “mais protege” o meio ambiente. “O que a gente defende é não criar dificuldade para o nosso progresso”, comentou.

Mais tarde, em coletiva a emissoras de TV, Bolsonaro confirmou que ainda não está certa a fusão dos ministérios, pensada para “pacificar” atritos entre as áreas. “Temos mais dois meses para discutir sobre junção da Agricultura com o Meio Ambiente”, afirmou. O presidente eleito lembrou ainda que não existe unanimidade entre ruralistas sobre a questão, por conta de possíveis “pressões internacionais”. “Estou pronto para voltar atrás, não tem problema nenhum. Não vai ter ninguém com pressão de ONGs, um trabalho xiita. Queremos preservar o meio ambiente, mas não da forma que vem sendo feito ultimamente.”

Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro afirmou que o objetivo da fusão era “acabar com a briga entre as duas pastas”. Ele ressaltava, porém, que quem ditaria as regras no novo ministério, resultado da união dos dois, seria a Agricultura. Também afirmou em diversas ocasiões que poria fim à “indústria de multas” e à “fiscalização xiita” imposta aos produtores rurais por autoridades ambientais, como Ibama e ICMBio.

O anúncio da fusão no início da semana provocou protestos na Frente Parlamentar da Agricultura, a chamada bancada ruralista, que é resistente à ideia. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, chegou a criticar a decisão. Um dos argumentos de Maggi é que o Meio Ambiente trata de questões que não são ligadas ao agronegócio, como energia, infraestrutura, mineração e petróleo, assuntos que seriam de difícil conciliação com a fusão. “Como um ministro da Agricultura vai opinar sobre um campo de petróleo ou exploração de minérios?”, disse na quarta-feira.

Twitter

Nesta quinta-feira, a modelo Gisele Bündchen usou o Twitter para pedir ao presidente eleito que não junte os Ministérios do Meio Ambiente com o da Agricultura. “Como defensora do meio ambiente e cidadã brasileira, preciso manifestar a preocupação com a proposta de união entre os dois ministérios. Dois órgãos de imensa relevância nacional e que têm agendas próprias e, por vezes, incompatíveis”, diz ela na nota endereçada a Bolsonaro.

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