niquelandiaNiquelândia vai receber uma planta para exploração de Níquel e Cobalto.

A Brazil Minerals Energy prepara investimento em duas plantas para a produção de Níquel e Cobalto, em Niquelândia e Americano do Brasil.

Goiás deve receber novos investimentos no setor de mineração em breve. A Brazil Minerals Energy (BEM), empresa sediada em Goiânia e com unidade na Ilhas Virgens Britânicas, vai investir em duas plantas para produção de níquel e cobalto nos municípios de Americano do Brasil e Niquelândia. A empresa captou US$ 150 milhões, quase R$ 500 milhões, com um dos maiores fundos de private equity da Rússia e também investirá em outros Estados, como Bahia, Minas Gerais e Paraíba. Dos recursos já captados, cerca de um terço, ou US$ 50 milhões, devem ser investidos em Goiás.

A empresa já possui 65 áreas em prospecção, sendo 16 já confirmadas, em Minas Gerais, Paraíba, Bahia e Goiás, onde os investimentos devem se concentrar em Americano do Brasil e Niquelândia. O diretor administrativo e financeiro da BEM, Dov Gilvanci Levi Najman de Sousa, que representa a acionista Zahav Investiments Limited em associação com a Lithium Technologies, informa que a empresa tem participado de roadshows na Europa e Ásia para apresentar o projeto e ampliar a captação. Segundo ele, o processo de captação de recursos levou cerca de três anos. “O fundo já investe em mineração há quase 50 anos, com investimentos em países como a Rússia, Austrália, Zimbabue e China”, destaca.

Segundo ele, Goiás chamou a atenção dos investidores pelo grande volume de recursos minerais, principalmente níquel e cobalto, depois que missões comerciais do governo do Estado apresentaram o potencial mineral da região. O investimento vem em boa hora para Niquelândia, pois o município foi economicamente muito prejudicado com a paralisação das atividades da Votorantim, em virtude da crise financeira e da queda dos preços do níquel no mercado internacional.

Os investimentos em Goiás já começam em fevereiro do próximo ano. A empresa ainda não revelou detalhes dos projetos em Goiás, mas estaria negociando a aquisição de uma planta industrial já pronta de uma empresa que está em recuperação judicial em um dos dois municípios. Assim, as instalações demandariam apenas algumas adequações para começarem a produzir já no fim do próximo ano. A planta que ainda será construída deve começar a operar em 2019.

Dov Gilvanci informa que o faturamento projetado pela empresa no País já em 2019 é de cerca de US$ 270 milhões anuais, sendo US$ 80 milhões em Goiás. Por ser uma planta bastante automatizada, a expectativa inicial é gerar 150 empregos diretos nos dois municípios. O executivo ressalta que os investidos também já estão de olho em outras empresas de Goiás que estão em dificuldades para possíveis aquisições ou arrendamentos. Além de investir em Goiás, a companhia também pretende expandir para Argentina, Chile e Bolívia.

Lítio para baterias

Os minerais extraídos em Goiás serão usados para a produção de lítio, um importante componente para produção de baterias. A companhia russa já tem contratos de 15 anos firmados com companhias como a Apple, Tesla, Toyota, Samsung e Mitsubishi, pois a demanda mundial é crescente, especialmente para produção de carros elétricos. Vale lembrar que a tonelada do lítio já está cotada em cerca de US$ 25 mil.

A BEM já possui mais de 30 mil hectares de áreas mineráveis de lítio no Brasil. “O níquel e o cobalto são nosso foco em Goiás, mas estamos iniciando um trabalho de mapeamento dos minerais de lítio no Estado e acreditamos encontrar boas jazidas de grafite flake, um tipo muito especial de grafite que usamos para processamento de grafite esférico”, conta Dov Gilvanci.

Segundo ele, o mundo não via o potencial do Brasil como grande produtor porque não havia tecnologia para a exploração do lítio, mesmo contando com grandes reservas em Minas Gerais, Paraíba, Sul da Bahia, Tocantins e Ceará. Além disso, captar recursos competitivos para projetos de tecnologia para longo prazo no País é muito difícil. “Não adianta uma empresa brasileira se aventurar na mineração em buscar capital externo que tem prazo longo e juros competitivos, que precisam ser de, no máximo, 4% ao ano para um projeto desta magnitude".

Porém, o governo federal já estaria se despertando para o potencial do lítio, que pode ser um mineral estratégico para o país, que pode vir a se tornar um grande player global. Segundo Dov Gilvanci, o grande diferencial deste investimento é não precisar de nada do governo, a não ser da parte regulatória, como as licenças ambientais.

Fonte: O Popular

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