Passada a ressaca eleitoral das eleições para os governos da República e dos Estados, com as eleições para a Câmara Federal, Senado e Assembléias Legislativas estaduais e da Câmara do Distrito Federal, os arranjos dos futuros governantes começaram a ser montados para lhes dar sustentação política nos novos mandarinatos que começarão a existir por quatro anos a partir de primeiro de janeiro de 2019.

É natural que o eleito procure estabelecer uma razoável base de sustentação política para lhe dar segurança de governabilidade e para aprovar leis que contenham suas idéias e as políticas que pretende implantar durante seu mandato.

Mesmo porque não tem maioria que lhe assegure meios para aprovar seus projetos que devem se tornar leis, é natural que o governante construa, com a ajuda de outros partidos e de seus membros, a coalizão de apoios que lhe permitirá ter suporte nas Casas legislativas para onde confluem todas as matérias que devem ser analisadas e aprovadas pelos representantes do povo – as Assembléias, Câmara e Senado, conforme reza a Constituição.

É nessa hora que se vê como as idéias de alguns candidatos que atuaram durante a campanha política buscando uma vaga nos legislativos não representam, em verdade, nenhuma ideologia, nenhum comportamento político de lealdade partidária nem de afinidade com o voto recebido do distinto eleitor.

O político se apresenta ao povo fazendo propostas. Recebe o voto em consideração às essas propostas, às suas idéias e na perspectiva de que sua eleição será seu protagonismo como representante de seus eleitores, ou seja, na esperança de que vai defender tudo aquilo que prometeu durante a campanha política e que, por isto mesmo, recebeu os votos de quem o elegeu.

Mas é aí que começa a transparecer a verdadeira face política de quem não se compromissa com o voto nem com a lealdade partidária.
Discutir matérias e projetos legislativos que forem enviados pelos governantes (Presidente e Governadores) para as Casas Legislativas da Repúblicas deve ser, sempre, a obrigação do deputado – estadual ou federal - ou do senador. Aprovar ou rejeitar essas matérias também é consequência do debate que será produzido durante a tramitação dos projetos.

Mas, mesmo antes de formarem-se os governos e as novas casas legislativas o que vemos, desde agora, é que a ideologia, a lealdade política e o compromisso do candidato com o voto que ele recebeu do distinto eleitor não passam de situações que, há muito, já foram esquecidas.

O político que não teve seu candidato a cargo majoritário eleito, ou, melhor dizendo, os eleitos como representantes do povo para as casas legislativas (deputados e senadores) que vão exercer o mandato tendo um governador ou o presidente de outro partido inicia sua desconstrução ideológica, partidária e popular e ruma, apenas com seu compromisso pessoal, para tornar-se um ´apoiador´ incondicional do novo líder estadual ou nacional, esquecendo-se, propositalmente, de que seu lugar deve ser na oposição, como fiscal das ações de quem vai passar a governar – isto porque seu candidato perdeu a eleição para a chefia do Executivo.

Além disto, começam também a reverberar aquelas situações de políticos de partidos que tendo lançado candidatos a cargos majoritários tiveram alguns integrantes seus, durante a campanha política, apoiando candidaturas de outras siglas – em nome de que tais candidaturas ´seriam mais preparadas e com maior densidade política e eleitoral´.
Justificam isto também depois das eleições, com o argumento de que estavam certos e porque estavam certos o candidato que apoiaram, mesmo não sendo de seu partido, venceu as eleições e vai governar.

Num primeiro aspecto se vê, nisso, deslealdade partidária. Sendo de um partido é obrigação do político dar sustentação ao candidato que o partido indica para a disputa eleitoral. Faz parte do jogo, porque, se isso não satisfaz seus ´instintos´ políticos ou eleitorais o menor dos problemas é ter de sair do partido e seguir com quem ´acha´ que vai vencer a disputa.

Mas, infelizmente, não é isso o que acontece. Esses políticos ficam no partido, desagregam a candidatura do companheiro que vai para a refrega política e que, em alguns casos, perde a eleição – e depois, porque o candidato que teve seu apoio foi o vencedor da disputa eleitoral, dá início a ações para arrebanhar o que sobrou do partido para tornar-se apêndice ou sublegenda da sigla vencedora sob os ´auspícios´ da nova ordem política que vai governar. Não se leva em consideração que muitos, muitos e variados membros da agremiação política não viram nem veem com bons olhos as atitudes que tomaram e que com elas não concordam.

Fazem isso em nome de uma alegada ´reestruturação´ partidária, que causa mais desagregação. Pretendem a ´reestruturação´ desde que sejam eles as pessoas que passem a comandar o partido ou partidos que perderam as eleições e que devem ser levados para a ´base´ do novo governo, na visão deles.

É e tem sido assim o que se está vendo acontecer em Goiás envolvendo políticos do PMDB. Vários e importantes de seus membros, ainda durante a disputa eleitoral para o governo do Estado, assim se posicionaram.

O partido foi vencido e o resultado ou o recado da decisão popular para a derrota sofrida pelo PMDB foi o de que o partido deve ser oposição, não podendo, em nome daqueles que dissentiram por questões pessoais e por interesses próprios da candidatura de sua sigla pretender, como está sendo visto, levar o partido a apoiar incondicionalmente um novo governo que não é seu e cujos resultados de suas políticas não se prevê resultado porque também dissentem das políticas que o partido propagou como propostas para uma gestão sua.

Muitos não veem que a nova ordem política aqui em Goiás terá como primazia a estruturação de seus interesses partidários de acomodar as chefias de Secretarias, diretorias e outros órgãos administrativos, como também a Presidência da Assembléia Legislativa e de Agências governamentais, restando à periferia partidária daqueles que querem incondicionalmente apoiá-la apenas uma mínima e desimportante participação nas suas políticas.

Como se nota, estamos passando em Goiás por um momento de transição que está sendo marcado pelo fim de um ciclo iniciado com a primeira eleição do ex-governador Marconi Perillo em 1999, quando o PMDB falhou em dar sequência aos seus vitoriosos governos iniciados com a eleição de Iris Rezende em 1982. De lá para cá, consequência de seus próprios erros e também por falta de uma visão macropolítica, o partido cometeu os mesmos erros que agora alcançaram a derrota do PSDB em terras goianas.

E, veja-se, com a eleição do senador Ronaldo Caiado para governar o estado, já está iniciada a migração das forças políticas, tanto do PMDB quanto do PSDB e de outros partidos que apoiaram a candidatura peessedebista.

Percebe-se, portanto, mais uma vez, que esse direcionamento continuará a deixar o PMDB à deriva no cenário político goiano, podendo – caso a sigla seja dominada por aqueles que desejam um alinhamento desde agora como o novo governo - se transformar numa mera força coadjuvante de uma nova administração estadual que tem como meta estruturar a sigla política que a representa e continuar o ciclo de domínio político-administrativo que se inicia em 1º. de janeiro do de 2019.

É necessário, neste momento, ter visão e discernimento de que a onda sempre quebra na praia, que não existe almoço grátis e que o sol, apesar de brilhar para todos no horizonte produz insolação em quem se expõe em demasia e não se recolhe para afinar o pensamento.

O resultado eleitoral obtido no Estado é a consequência dos atos que foram produzidos. O PMDB foi ´eleito´ para ser oposição e, mais que isto, mesmo sendo oposição precisa de agora em diante ser fortalecido para futuros embates. Essa situação não ocorrerá caso venha a ser transformado em ´base´ eleitoral ou em base de sustentação incondicional do novo governo do Estado, como fazem alguns de seus membros e como também já vem fazendo algumas figuras políticas do atual governo estadual, que não suportaram nem 45 dias depois do pleito a perspectiva de serem oposição a partir de 2019.

É preciso amar para sobreviver, como diz a música de Tim Maia, dos idos dos anos 70, e a música de Renato Russo (Pais e Filhos, dos anos 90), porque senão não haverá amanhã.

E o partido, agora, mais que nunca, precisa ter o amor de seus membros, a prudência e a sensatez de Ulisses Guimarães, uma de seus mais expressivos líderes, de saudosa memória, e a coragem de seus atuais líderes para que isto ocorra e o amanhã seja promissor.

Guilherme Silvério de Araújo jr., é advogado em Goianésia e ex-Presidente do PMDB. Atualmente exerce o cargo de Secretário-Geral da sigla.

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