A crise da água em Goianésia

Orcedino Júnior

A atual crise de água por que passa Goianésia e outras cidades do Brasil está colocando um fim ao falso discurso que apenas o controle do consumo doméstico da água resolveria todos os problemas de abastecimento.

Montou-se uma cultura no Brasil, que o cidadão comum é o respónsável pela escassez de água. E agora, finalmente, o que realmente acontece, está se evidenciando.

De toda a água existente em nosso planeta, cerca de 97,5% é salgada e apenas 2,5% é de água doce. Desses 2,5%, podemos estimar que a reserva de água doce do nosso planeta encontra-se distribuída da seguinte maneira:

- 68,9% encontram-se congeladas nas calotas polares e nos cumes das altas montanhas;

- 29,9% localizam-se no subsolo, como em aquíferos;

- 0,9% em outros reservatórios, como nuvens, vapor d’água, etc;

- 0,3%, apenas, estão disponíveis em rios e lagos

Em todo o mundo e não menos no Brasil, a maior parte da água que utilizamos destina-se à prática agrícola. Cerca de 70% de toda a água doce é utilizada em irrigação de plantações e, a maior parte dessa água não pode ser reaproveitada, pois encontra-se contaminada por fertilizantes e pesticidas químicos. Dos 30% restantes, aproximadamente 20% são utilizados pela atividade industrial em seus processos de produção. E menos de 10 % do restante é uilizado para consumo doméstico.

No agronegócio, apenas 40% da água desviada é efetivamente utilizada na irrigação. Os outros 60 por cento são desperdiçados, porque se aplica água em excesso, se aplica fora do período de necessidade da planta, em horários de maior evaporação do dia, pelo uso de técnicas de irrigação inadequadas ou, ainda, pela falta de manutenção nesses sistemas de irrigação.

Um fato curioso: Não é o grande responsável por nossa alimentação, pois é voltado para exportação. Segundo o governo federal, é a agricultura familiar que leva 70% dos alimentos à mesa dos brasileiros e que promove 80% dos trabalhos no campo.

Para preservar nossa água e garantir nossa soberania alimentar precisamos fortalecer a agricultura familiar e adotar outras medidas: substituir o uso de agrotóxicos e pesticidas por fertilizantes, compostos e matéria orgânica, fazendo com que a água, o ar e os solos não sejam contaminados; utilizar a micro-irrigação para fazer uso racional da água e evitar o desperdício e implementar sistemas de armazenamento de água da chuva.

E o primordial: fiscalizar o agronegócio, através de leis, obrigando a compensar efetivamente o passivo ambiental que produzem, a água que desperdiçam.

Assim, querer jogar a responsabilidade da escassez no usuário doméstico será agora no mínimo ineficiente. Melhor seria ir atrás do agronegócio que suporta um modelo que esse sim é responsável por quase 70% do consumo de água e aonde o desperdício de água é muito grande.

No caso da bacia de micro-abstecimento de Goianésia, os rios que a formam, além da água destinada à cidade, abastecem represas, canais, muitos sem autorização e controle por partes dos órgãos estaduais que regulamentam o uso da água no Estado. Soma-se a isso a falta de investimento e planejamento da Saneago na gestão dos recursos hídricos das cidades do Estado.

Portanto, caro leitor, está explícito quem são os vilões do consumo de água. É claro que o uso racional é uma questão de cidadania, de consciência ambiental. Mas não é o consumo doméstico o grande vilão. Não critique uma dona de casa que lava a sua calçada ou senhor que lava seu carro. O rombo de 70% está no desperdício causado pelo agronegócio. Precisamos acabar com essa cultura de crucificar o usuário doméstico e penalizar os verdadeiros culpados. Esses dados são científicos, técnicos.

Se você tem um caixa dágua com um vamento de 70 mm e outro de 10 mm, por que preocupar-se e diminuir o vazamento menor, negligenciando o rombo do maior?

É mais fácil para o governos penalizar a população, inserido essa falsa ideia de desperdício como sendo o mal da escassez de água. Mexer com o empresário é mais difícil, diminui a geração de impostos e outros interesses são prejudicados.

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Imprensa: Mundo dos profissionais que "se acham"

Orcedino Júnior

Em todas as profissões, existem os bons profissionais, pessoas dedicadas, que gostam do que fazem e fazem bem feito. Mas também existem os sabichões, aqueles que “se acham”. Especificamente, no mundo da imprensa, este tipo de postura torna-se, infelizmente, mais frequente nas relações profissionais. Jornalistas esportivos, políticos, que não tem humildade e não conseguem respeitar a opinião alheia, idealizando que, somente aquilo que fala, redige ou produz, é bom. Faço essa afirmação, com tristeza, pois faço da classe que critico.

Aquele que “se acha” é arrogante, orgulhoso, que se refere a soberba dos 7 Pecados Capitais. Geralmente, tem um conceito exagerado de si próprio, com aparente amor-próprio demasiado e constantemente despreza tudo e todos, sempre julgando com suas severas críticas.

O profissional orgulhoso precisa fazer com que o outro se sinta diminuído para que ela se sinta superior. São pessoas mais preocupadas em ter do que em ser, e que não possuem autoconhecimento algum. Muitas vezes, nos eventos, estamos realizando uma cobertura jornalística e eis que surge sempre aquele que se acha, que sabe mais, que sabe fazer...Pura ilusão! Nas redes sociais, então...!

O conceito exagerado de si próprio, o amor-próprio demasiado, a necessidade de poder, são apenas máscaras que buscam compensar a falta de amor que sentem por si mesmas, pois possuem em geral uma necessidade de auto-afirmação.

De acordo com a psicologia, esse impulso para o poder, essa necessidade de querer ter mais, pode ainda ser conseqüência do sentimento de inferioridade, e da sensação de desamparo, fragilidade e impotência, presentes em muitos de nós. Porém, esses sentimentos são mais intensos naqueles que, nos primeiros anos de vida, não encontraram junto aos adultos com quem conviveram o conforto, o acolhimento, e o amor que amenizassem esse desamparo.

No campo profissional aparece com a sensação de que "eu sou melhor que os outros" por algum motivo. Isto leva a ter uma imagem de si inflada, aumentada, nem sempre correspondendo a realidade. Mas este comportamento, na verdade, é apenas uma máscara que funciona como proteção para impressionar e se fazer respeitado ou temido, quando na verdade a pessoa no fundo se sente muito distante em ser isso tudo.

A autenticidade como alguns chamam o excesso de sinceridade ou sinceridade perversa, onde a pessoa fala tudo aquilo que sente, sem ao menos pensar no conteúdo do que fala e em como a pessoa que está ouvindo irá se sentir com tanta autenticidade, acaba geralmente por machucar muito quem ouve tal franqueza. São pessoas que pecam por sua falta de sensibilidade, empatia e exageram em sua impulsividade, sempre falando sem pensar, ou falando o que pensam, mas sem considerar os sentimentos do leitor ou dos colegas de profissão.

Humildade não é defeito nem fraqueza, é virtude, grandeza. Os profissionais da imprensa precisam se conscientizar disso. Seu veículo de comunicação, seja ele, rádio, jornal, site não é o melhor nem o único. É preciso respeitar as ideias, o jeito de trabalhar de cada um, sem denegrir o colega de profissão. Pronto, falei!

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O Coronelismo foi um tipo de sistema político vigente no Brasil na primeira metade século passado onde o mandonismo, o filhotismo (ou apadrinhamento), a fraude eleitoral e a desorganização dos serviços públicos eram a suas principais características. Abrangeu o País em quase sua totalidade, mas até hoje seu modo de agir perdura nas relações sociais.

Hoje a figura do coronel revela-se no empresário, que gera empregos, que fomenta a economia. Mas é preciso enxergar o empreendedorismo com outros olhos. Não precisamos agradecer por ele. Não se tratam de herois aos quais devemos nossa vida. A posição é inversa, o empresário é que precisa do trabalhador. Empresário na política faz mais mal que bem, pois ele sempre estará olhando seus interesses e de seus sócios, de seus parceiros.

Na atual conjuntura política de Goianésia, uma cassação em primeira instância aconteceu com o atual prefeito. Um grupo econômico e político que domina a cidade desde o século passado, dirige as investidas na Justiça Eleitoral com o fim de reverter a derrota sofrida na urnas.

Mas essa história já aconteceu em outros tempos, mas acabou ficando esquecida ou pouco comentada e foi se perdendo nos bastidores da política goianesiense. Agora, ela se repete. Em 1960, o então candidato Walter Augusto Fernandes, o Nego Walter, filiado ao PSD foi eleito, juntamente com o seu vice, Laurentino Martins, bisavô do atual prefeito Renato de Castro vence aos eleições municipais.  O então candidato Otávio Lage, da UDN, “suspeita” de irregularidades nas urnas de Cafelândia e recorre ao Tribunal Eleitoral, conseguindo sentença favorável. EM 1962, através de uma eleição suplementar, Otávio Lage vence.

Agora, os personagens são outros, com muitas coincidências familiares. Mas o desespero pela manutenção e conquista do poder continua com a mesma intensidade e é de tal ordem que atitudes, sejam elas hipócritas ou contraditórias, se tornam irrelevantes.

Qualquer goianesiense menos apaixonado, politicamente e não devoto partidário, sabe escrever, com todas as linhas como se desenvolveu as eleições políticas ao longo dos anos, no quesito recursos econômicos, na cidade. São mais de 60 anos de dominação financeira.

A atual gestão segue firme no seu propósito de reconstruir o caos na saúde e outras áreas deixadas pela gestão passada, que almeja a todo custo, reverter a derrota sofrida.

A história quer se repetir.....A Justiça dirá....somos todos a favor dela.

PS: devoto: aquele que possui ou demonstra devoção. Que apresenta excesso de dedicação.

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A nova "cara" do Opinião

IMG 20170207 WA0002Jornalista Jaime Câmara visita Orcedino Wenceslau na década de 80, durante evento promovido pelo Opinião.

No mundo digital de hoje, os processos de mudança na comunicação estão passando pela convergência das mídias, plataformas que vão se agregando, inovando e consequentemente ganhando novos formatos e forças.

Assim acontece com o jornalismo. Muitas mudanças na forma de levar a informação. Mas não foi sempre assim.

O jornal impresso, ou jornalismo moderno, surgiu no século XVI, conhecido como o quarto poder. A invenção da prensa móvel pelo alemão Johannes Gutenberg ficou conhecida como a grande revolução da escrita impressa. No País, o jornal impresso chegou atrasado ao Brasil, por volta de 1808 por motivos políticos e econômicos.

Nas décadas de 70 e 80, produzir um noticiário impresso era um processo quase que industrial, pois poderia levar dias para fechar uma matéria. A apuração era a mais demorada, a checagem da notícia era descrita com narrativas ricas em detalhes, as câmeras fotográficas eram caras, assim como a revelação das fotos.

E foi nesse cenário primitivo que o então jovem comunicador Orcedino Wenceslau fundou o Jornal Opinião em 1979. 

Em Goiânia, para onde se dirigia para editar e imprimir o Jornal, conheceu o pioneiro do jornalismo em Goiás, o empresário Jaime Câmara, com o qual desenvolveu profunda e sincera amizade. O proprietário do Grupo Jaime Câmara apoiou-o e o apadrinhou no meio jornalístico, sendo um dos grandes incentivadores do desenvolvimento do Opinião. 

Hoje, com as facilidades da tecnologia, atualizar um portal de notícias e praticar o webjornalismo tornou-se bem simples. 

Mas no anos 80, fazer jornal no interior de Goiás era para poucos. Mas o jovem jornalista Orcedino Wenceslau soube desenvolver o periódico na Região alcançando 38 anos de existência. O Jornal Opinião participou das principais transformações sociais, políticas e culturais de Goianésia e Região desde 1979 até os dias atuais.

O Opinião promoveu eventos culturais, denunciou injusticas, combateu a tirania, foi perseguido. Mas continuou. 

Agora com o surgimento das mídias digitais, reformulamos o nosso site, que terá, além das matérias online, a inserção da OpiniãoTV, que tem o objetivo de ser totalmente inovadora na sua programação.

Esperamos que gostem!

Um forte abraço, 

Orcedino Júnior, diretor administrativo do Opinião

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